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Catolicismo: Doutrinas e Dogmas - parte 1

A Igreja Católica possui um conjunto extenso de doutrinas, leis e interpretações escriturísticas. Trata-se, portanto, de tarefa muito árdua escrever um texto que sintetize seus credos. Não obstante, sigo com a tarefa com a intenção de destacar as principais características dessa religião mundial. Grande parte do que exporei abaixo foi retirado do “Compêndio do Catecismo da Igreja Católica” que é um texto elaborado por mais de 20 anos por uma Assembleia de Bispos presidida pelo Cardeal Joseph Ratzinger (que mais tarde tornou-se o Papa Bento XVI). Este texto sempre remete a um texto mais longo, antigo e profundo – o Catecismo da Igreja Católica:

“Trata-se de um texto de referência, seguro e autêntico, para o ensino da doutrina católica, com o qual pode-se conhecer o que a Igreja professa e celebra, vive e reza em seu cotidiano. Ele foi organizado de maneira a expor em linguagem contemporânea os elementos fundamentais e essenciais da fé cristã.” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Catecismo_da_Igreja_Cat%C3%B3lica)

Com base nessas obras oficiais estudaremos brevemente os pontos doutrinários abaixo:

- Deus. Para Igreja Católica a afirmação “creio em Deus” é “a mais importante, a fonte de todas as outras verdades sobre o homem e sobre o mundo, e de toda a vida de cada um que nele crê” (Compêndio #36). Deus é “a plenitude do ser e de toda perfeição”, Ele é “aquele que é”, sem origem e sem fim (Compêndio #39). Deus é a verdade (Compêndio #41) e se revela “como aquele que tem um amor mais forte do que um pai ou de uma mãe pelos seus filhos ou de um esposo por sua esposa” (Compêndio #42). Deus é onipotente (Compêndio #50). Ele é o Criador (Compêndio #52). Para um católico “Deus é um em três pessoas”. Isso é chamado de mistério da Trindade. “As três Pessoas divinas são um só Deus porque cada uma delas é idêntica à plenitude da única e indivisível natureza divina. Elas são realmente distintas entre si pelas relações que as põem em referência umas com as outras: o Pai gera o Filho, o Filho é gerado pelo Pai, o Espírito Santo procede do Pai e do Filho.” (Compêndio #48). Deus “não é de modo algum, nem direta, nem indiretamente, a causa do mal” (Compêndio #57). Deus revelou-se através de Sue Filho: Cristo.

- Jesus Cristo. Para um católico Jesus Cristo é “o Filho Único de Deus” que “encarnou” (união entre natureza divina e natureza humana) (Compêndio #86). E a Segunda pessoa da Trindade (Compêndio #83). Ele é o Senhor, ou seja, Deus (Compêndio #84). Jesus Cristo “encarnou-se no seio da Virgem Maria por obra do Espírito Santo, por nós homens e para nossa salvação, ou seja, para reconciliar a nós, pecadores, com Deus; para nos fazer conhecer o seu amor infinito; para ser o nosso modelo de santidade; para nos fazer ‘participar da natureza divina’” (Compêndio #85). Para um católico Jesus assumiu “um corpo animado por uma alma racional humana” (Compêndio #90). Ele foi batizado não por ter pecados – mas para “dar inicio a sua vida publica e antecipar o ‘Batismo’ da sua morte” (Compêndio #105). Ele foi tentado, mas recusou ceder (Compêndio #106). Ele escolheu Doze Apóstolos e deu a Pedro, o principal, ‘as chaves do Reino’ (Compêndio #109). A morte de Cristo é culpa de todo homem pecador – e não de um povo especifico (Compêndio #117). Cristo aceitou a vontade de Seu Pai durante a agonia do horto do Getsêmani (Compêndio #121) e “ofereceu livremente a sua vida em sacrifício expiatório” (Compêndio #122). Jesus, ao morrer, desceu “aos infernos” (um lugar onde se encontravam todos os mortos, bons e maus, que haviam morrido antes dele. Lá ele libertou os justos ao ressuscitar (Compêndio #125). Para Igreja Católica “a Ressurreição de Jesus é a verdade culminante da nossa fé em Cristo e representa, com a Cruz, uma parte essencial do Mistério Pascal” (Compêndio #126). A ressurreição não é um retorno à vida terrena. Embora carregue os sinais de sua Paixão (sacrifício expiatório) seu corpo é sobrenatural – podendo aparecer livremente aos seus discípulos como e onde quiser, e sob aspectos diferentes (Compêndio #129). “A Ressurreição é o ápice da Encarnação. Ela confirma a divindade de Cristo, como também tudo o que Ele fez e ensinou” (Compêndio #131). Cristo ascendeu aos céus e se senta à direita do Pai, mas ao mesmo tempo “permanece misteriosamente na terra, onde o seu reino já esta presente com o germe e inicio na Igreja” (Compêndios #131-134). O Senhor Cristo julgará os vivos e mortos (Compêndio #135)

- Espírito Santo. O Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade (Compêndio #136) que inspirou os profetas (Compêndio #3140-141). No dia de Pentecostes foi dado o Espírito à Igreja – o qual a anima, edifica e santifica (Compêndio #144-145). Símbolos como: a água viva, a unção com óleo, o fogo, a nuvem, a imposição ode mãos, a pomba – são símbolos da presença do Espírito Santo (Compêndio #139).


- Oração e Adoração. “Oração é a elevação da alma a Deus ou o pedido a Deus de bens conformes à sua vontade” (Compêndio #534). As orações litúrgicas devem conter a fórmula final: por nosso Senhor Jesus Cristo” (Compêndio #560). Os salmos são “o ápice da oração no Antigo Testamento: a Palavra de Deus torna-se oração do homem”. Jesus ensinou todos a rezar “não só com a oração do Pai-nosso” – mas em muitas outras oportunidades (Compêndio #542-544). As formas essenciais da oração crista são: (1) a bênção e (2) a adoração, (3) a oração de súplica e (4) a intercessão, (5) a ação de graças e (6) o louvor. A Eucaristia contem e exprime todas as formas oração” (Compêndio #550). (1) A bênção “é a resposta do homem aos dons de Deus: nó bendizemos o Todo-poderoso que primeiro nos abençoa e nos enche dos seus bens” (Compêndio #551). (2) A adoração é definida como sendo “a prosternação do homem que se reconhece criatura diante do seu Criador três vezes santo” (Compêndio #552). Cristo pode ser adorado porque como “tinha assumido um verdadeiro corpo humano por meio do qual Deus invisível se tornou visível. Por esta razão, Cristo pode ser representado e venerado nas santas imagens.” (Compêndio #91). (3) A oração de súplica é um pedido de perdão ou um pedido de ajuda (Compêndio #553). (4) A intercessão “consiste em pedir em favor de outro” (Compêndio #554). (5) A celebração da Eucaristia é a maneira suprema da Igreja dar graças a Deus (Compêndio #555). (6) Louvor é uma oração desinteressada, sem pedidos e pleitos – “canta Deus pelo que ele mesmo é e lhe dá glória porque ele é” (Compêndio #556). Maria, mãe do Filho de Deus, “por sua singular cooperação com a ação do Espírito Santo” é considerada “a orante Perfeita, para magnificar e invocar o Senhor com Ela. Maria, com efeito, ‘mostra-nos o caminho’ que é Seu Filho, o único Mediador” (Compêndio #562). Assim, a “Ave-Maria” torna-se uma oração vital para um católico.

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