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Catolicismo: Doutrinas e Dogmas - parte 2


- As Escrituras – “Foi a Tradição Apostólica [1] que levou a Igreja a discernir quais os escritos que deviam ser contados na lista dos livros sagrados” (Catecismo #120). O cânone das Escrituras – que a Igreja Católica chama de “Sagrada Escritura” é composto por 46 escritos do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento [2]. “Os quatro Evangelhos – de Mateus, Marcos, Lucas e João –, por serem o principal testemunho sobre a vida e a doutrina de Jesus, constituem o coração de todas as Escrituras e ocupam um lugar único na Igreja.” (Compêndio #22). Para os Católicos dois personagens são considerados, na Sagrada Escritura, as principais testemunhas de obediência da fé: Abraão, pai dos fiéis, e a Virgem Maria (Compêndio #26). Hoje, diferente do passado [3], a Igreja Católica incentiva seus membros a lerem as escrituras (Compêndio #24).

- O Homem. Para a doutrina católica o homem é a suprema criação divina (Compêndio #63) – “um ser capaz de Deus”, que por intermédio de Cristo, pode ser adotado como filho de Deus. “O homem é criado à imagem de Deus no sentido de que é capaz de conhecer e de amar, na liberdade, o próprio criador” (Compêndio #66). Deus criou o homem para “conhecer, servir e amar Deus” (Compêndio #67). O homem é um ser dual: composto de espírito – ou alma – e matéria – ou corpo (Compêndio #69). A alma espiritual vem de Deus – e “separa-se do corpo por ocasião da morte” – mas não perece e volta a unir-se ao corpo “no momento da ressurreição final” (Compêndio #70). A Igreja Católica tem a importante função de orientar o homem na jornada terrena rumo ao céu. Ela realiza isso através de sacramentos (ordenanças), festas sacras, perdão de pecados e ensino dos mandamentos. Por isso a Igreja entende que deve evangelizar o mundo, conforme ordem expressa do Senhor Jesus Cristo em Marcos 16:15.

- A Criação. Para os católicos o relato bíblico da Criação é verídico. Deus criou o universo do nada (ex nihilo) (Compêndio #54). A Trindade criou o mundo em seis dias (Compêndio #51, 52, 54). Deus o fez por amor e para cumprir seus “divinos designíos salvíficos” (Compêndio #50).

- A Queda de Adão e Eva. “O homem tentado pelo diabo, deixou que se apagasse em seu coração a confiança em relação a seu Criador e, desobedecendo-o, quis se tornar “como Deus” sem Deus, e não segundo Deus (Gênesis 3:5). Assim, Adão e Eva perderam imediatamente para si e para todos os seus descendentes a graça da santidade e da justiça originais” (Compêndio #75). Por causa da Queda de Adão e Eva, ao comerem do fruto proibido, o pecado original entrou no mundo. “O pecado original, no qual todos os homens nascem, é o estado de privação da santidade e da justiça originais. É um pecado por nós ´contraído´, não ´cometido´; é uma condição de nascimento e não um ato pessoal”. Essa transmissão pecaminosa, reconhece a Igreja católica, “permanece um mistério que não podemos compreender plenamente” (Compêndio #76). Em consequência da Queda a natureza humana “está ferida em suas forças naturais, submetida à ignorância, ao sofrimento, ao poder da morte e inclinada ao pecado. Essa inclinação é chamada concupiscência.” (Compêndio #77). Depois da Queda Deus não abandonou o homem e enviou Cristo para redimi-lo. Por isso a Queda é chamada de “feliz culpa” (Liturgia da Vigília pascal, Compêndio #78).

- Pecado. “Pecado é uma palavra, um ato ou um desejo contrários à Lei Eterna” (Santo Agostinho, Compêndio #392). “Pecado é a ação livre e consciente do homem por meio do qual ele transgride as leis divinas. Trata-se de um ato de desrespeito a misericórdia e a justiça infinitas de Deus, que nos deu a lei e a graça de Cristo para que vivêssemos apartados do pecado e encontrássemos definitivamente a salvação e a vida eterna. (...) “Existem os pecados veniais e os pecados mortais. Os veniais são os pecados perdoáveis pela via sacramental, através da realização de obras penitentes. A Igreja recomenda vivamente a confissão dos pecados veniais. O pecado mortal é a falta de moral, que sempre, que sempre elimina a graça divina da nossa lama, rompendo a amizade do homem com Deus”. (Silvano Tenório, “Conhecendo sobre crenças e religiões, ed. 02, “Catolicismo”, CASE EDITORIAL, pg. 12).
“A variedade de pecados e grande (...) podem-se distinguir pecados de pensamento, de palavra, de ação e de omissão” (Compêndio #393) porém, em relação a gravidade, como já mencionado, os pecados se distinguem em mortal e venial (Compêndio #394). O pecado mortal é quando três elementos se reúnem: matéria grave, plena consciência do agente e consenso deliberado. É perdoado “ordinariamente” mediante os sacramentos do Batismo e da Penitencia ou Reconciliação (Compêndio #395). Já o pecado venial é o relacionado a matéria leve (ou grave mais sem plena consciência). Ele não rompe a aliança com Deus, mas enfraquece as virtudes – e “mercê penas purificadoras temporais” (Compêndio #396). A repetição do pecado leva ao vício (Compêndio #397). Os vícios podem estar unidos aos sete pecados capitais: soberba, avareza, inveja, ira, impureza, gula e preguiça (Compêndio #398). Na teologia da Igreja Católica há também o que se chama de estruturas do pecado – que “são situações sociais ou institucionais contrarias a lei divina, expressão e efeito de pecados pessoais” (Compêndio #400).
“As indulgências são a remissão diante de Deus da pena temporal merecida pelos pecados, já perdoados quanto à culpa, que o fiel, em determinadas condições, adquire para si mesmo ou para os defuntos mediante o ministério da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui o tesouro dos méritos de Cristo e dos Santos” (Compêndio #312)

- Ordenanças e Rituais. “Por meio dos Sacramentos, Cristo comunica aos membros do seu Corpo (Sua Igreja) o seu Espírito e a graça de Deus que produz os frutos de vida nova, segundo o Espírito. Enfim, o Espírito Santo é o Mestre da oração” (Compêndio #16). A Igreja Católica possui sete sacramentos: batismo, crisma, eucaristia, penitência, unção de enfermos, matrimonio e ordem.
O Batismo é um rito essencial – e o primeiro – que consiste em “imergir na água o candidato ou em derramar água sobre sua cabeça, enquanto é invocado o Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Compêndio #256). Qualquer pessoa não batizada pode receber o batismo (Compêndio #257). A Igreja Católica batiza crianças por que as mesmas nasceram com “o pecado original” e precisam “ser libertadas do poder do Maligno e ser transferidas para o reino da liberdade dos filhos de Deus.” (Compêndio #258). Realiza o batismo o bispo e o presbítero ou o diácono (no caso da Igreja latina). Porém, em caso de necessidade qualquer pessoa “que tenha a intenção de fazer o que faz a Igreja” pode batizar (Compêndio #260). Hoje a Igreja católica não diz que as criancinhas mortas estão destinadas ao limbo ou ao inferno [4], mas que são confiadas à misericórdia de Deus (Compêndio #262).
O Crisma ou Confirmação “confirma e consolida a graça batismal” (Compêndio #266). Este rito é realizado com a unção de um óleo misturado com bálsamo (consagrado pelo bispo), “que se faz com a imposição da mão por parte do ministro que pronuncia as palavras sacramentais próprias do rito” (Compêndio #268).
A Eucaristia (Santa missa, Ceia do Senhor, Memorial da Paixão, etc.)é “o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, que ele instituiu para perpetuar pelos séculos” (Compêndio #271). Este rito é desdobrado em “dois grandes momentos”: proclamação da Palavra de Deus e apresentação do pão e do vinho (Compêndio #277). A transubstanciação – conversão literal de toda substancia do pão no Corpo de Cristo e de toda a substancia do vinho em Seu Sangue é real para os católicos, mesmo que “as caraterísticas sensíveis do pão e do vinho (...) permaneçam inalteradas” (Compêndio #283). Os fiéis da Igreja Católica devem participar obrigatoriamente da Santa missa todo domingo e nas festas de preceito (Compêndio #289).
A Penitência é a confissão dos pecados a um sacerdote. “É o sacramento que dá ao cristão católico a oportunidade e reconhecer as suas faltas e, se delas estiver arrependido, ser perdoado por Deus. O reconhecimento das faltas é a sua confissão a um sacerdote, que a ouve em nome de Deus e concede ao fiel o perdão ainda em nome de Deus. (...) Um dos mais rígidos deveres impostos a um sacerdote pela Igreja é o segredo da confissão.” (Silvano Tenório, “Conhecendo sobre crenças e religiões, ed. 02, “Catolicismo”, CASE EDITORIAL, pg. 15).
Unção dos Enfermos. “É o sacramento pelo qual o sacerdote reza e unge os enfermos para estimular-lhes a cura mediante a fé” (Silvano Tenório, “Conhecendo sobre crenças e religiões, ed. 02, “Catolicismo”, CASE EDITORIAL, pg. 15).
Matrimonio. É o sacramento que une homem e mulher. A Igreja Católica não realiza casamentos entre pessoas do mesmo sexo, e nem aceita a bigamia ou poligamia. “O caráter impresso pelo matrimonio se dissolve com a morte de um dos cônjuges. A morte de um dissolve o casal, extinguindo o matrimonio. Outra característica do sacramento do matrimonio é que não é ministrado pelo sacerdote, mas pelos noivos que, realizando-o perante a Igreja, pedem e recebem do sacerdote a bênção para a nova família que nasce” (Silvano Tenório, “Conhecendo sobre crenças e religiões, ed. 02, “Catolicismo”, CASE EDITORIAL, pg. 16).
Ordem. Tal sacramento visa conferir autoridade para as funções e ministério eclesiásticos. É dividido em três graus: episcopado, presbiterado e diaconato. O primeiro “confere a plenitude da ordem, torna o candidato legítimo sucessor dos apóstolos e lhe confia os ofícios de ensinar, santificar e reger.” O segundo grau “configura o candidato ao Cristo sacerdote e bom pastor. É capaz de agir em nome de Cristo cabeça e ministrar o culto divino”. O terceiro “confere ao candidato a ordem para o serviço na Igreja, através do culto divino, da pregação, da orientação e, sobretudo, da caridade.” (Silvano Tenório, “Conhecendo sobre crenças e religiões, ed. 02, “Catolicismo”, CASE EDITORIAL, pg. 16).

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[1] Tradição Apostólica é “a transmissão da mensagem de Cristo, realizada desde as origens do cristianismo, mediante a pregação, o testemunho, as instituições, o culto, os escritos inspirados. Os Apóstolos transmitiram a seus sucessores, os bispos e, por meio deles, a todas as gerações até o final dos tempos o que receberam de Cristo e aprenderam do Espírito Santo” (Compêndio #12). Essa Tradição “se realiza de duas maneiras: com a transmissão viva da Palavra de Deus (...) e com a Sagrada Escritura” (Compêndio #13). “A Tradição e a Sagrada Escritura estão em estreita ligação e comunicação entre si (...) constituem um só sagrado depósito da fé, de onde a Igreja haure a própria certeza sobre todas as coisas reveladas.” (Compêndio #14)

[2] A Igreja Católica reconhece alguns livros a mais como integrantes da Bíblia e como obras-sagradas: Tobias, Judite, Macabeu I, Macabeus II, Sabedoria, Baruc, Abdias: http://www.bibliacatolica.com.br/ 

[3] Apenas no II Concílio do Vaticano, na década de 60, tal prerrogativa foi determina (Const. dogm. Dei Verbum, 25: AAS 58 (1966) 829: cf. São Jerónimo, Commentarii in Isaiam, Prologus: CCL 73, 1 (PL 24, 17)). Antes disso, conforme explicou o Elder James E. Talmage, no inicio do Catolicismo “os supremos pontífices exerciam seus poderes autocráticos [pois restringiam] a leitura e interpretação das escrituras. O mesmo conselho de Trento, que repudiava a autoridade ou culpava os atos dos oficiais da Igreja em relação ao escandaloso tráfico de indulgências, prescreveu um regulamento mais rígido, proibindo a leitura das escrituras pelo povo. Assim, “uma lei severa e intolerável foi decretada com respeito a todos os intérpretes e expositores das escrituras, pela qual eram proibido de explicar o sentido desses livros divinos, em matéria de fé e prática, para não falarem uma língua diferente daquela da Igreja e dos antigos doutores. A mesma lei ainda declarava que só a Igreja (isto é, seu dirigente, o pontífice romano) tinha o direito de determinar o verdadeiro sentido ou significado da escritura. Para completar a medida desses procedimentos tiranos e iníquos, a Igreja de Roma persistia obstinadamente em afirmar, ainda que nem sempre com a mesma imprudência e clareza, que as escrituras sagradas não foram feitas para as multidões, mas só para o uso de seus mestres espirituais; e, em consequência, ordenou que esses relatos divinos fossem tirados do povo em todos os lugares onde fosse permitido executar seus mandos imperiosos”. (Mosheim, “Ecclesiastical History”, Sec. XVI, parte I cap. 1:25; Citado em “A Grande Apostasia”, Capítulo IX, item 21, pg. 77)
[4] “A prática da aplicação do batismo às crianças foi reconhecida como ortodoxa no terceiro século e era, sem dúvida, de origem anterior. Numa prolongada disputa de que se era seguro adiar o batismo das crianças até o oitavo dia depois do nascimento – em deferência ao costume judeu de fazer a circuncisão naquele dia – acabou decidindo que tal demora era perigosa, arriscando, arriscando o futuro bem-estar da criança, caso ela morresse antes de atingir a idade de oito dias, e que o batismo deveria ser administrado tão logo quanto possível após o nascimento. (Ver Milner, “Church History”, sec. III, cap. 13). É difícil imaginar doutrina mais infame que a da condenação das crianças não batizadas, e não é preciso procurar prova mais forte das heresias que invadiram e corromperam a Igreja primitiva. Tal doutrina é estranha ao evangelho e a Igreja de Cristo, e sua adoção como dogma essencial é prova da apostasia.” (“A Grande Apostasia”, James E. Talmage, Capítulo VIII, item 14, pg. 67)

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