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As Mulheres e o Sacerdócio

INTRODUÇÃO

O Sacerdócio é o poder e a autoridade de Deus dada ao homem para salvação. O Presidente Joseph F. Smith descreveu o sacerdócio como “o poder de Deus delegado ao homem por meio do qual os homens podem agir na Terra para a salvação da humanidade”. [1] Outros líderes nos ensinaram que o sacerdócio “é o maior poder que há nesta Terra. É o poder pelo qual a Terra foi criada”.[2] As escrituras ensinam que “esse mesmo Sacerdócio, que existia no princípio, existirá também no fim do mundo” (Moisés 6:7). “Portanto, o sacerdócio é o poder pelo qual seremos ressuscitados e prosseguiremos para a vida eterna.” [3]

Movimentos feministas, dentro e fora da Igreja, veem nesta doutrina a exclusão das mulheres, e perguntam: por que a mulher não pode receber o sacerdócio, como o homem – e agir no sacerdócio? Não é isso desigual? Não é machista?

“Há pessoas que questionam o papel da mulher no plano de Deus e na Igreja” disse o Elder Russell M. Ballard. “Fui entrevistado por um número suficiente de representantes da mídia nacional e internacional para saber que a maioria dos jornalistas com quem lidei tinha ideias preconcebidas sobre esse assunto. Muitos fizeram perguntas dando a entender que as mulheres são cidadãs de segunda classe na Igreja. Nada poderia estar mais longe da verdade.” [4]

Grande parte do problema, portanto, advém de “ideias preconcebidas sobre o assunto”. Simplesmente muitos não entendem a doutrina do Sacerdócio. E como poderiam? Parece que tal bênção esta reservada aos que tem as “entranhas (...) cheias de caridade para com todos os homens e para com a família da fé” e que adornam seus pensamentos com a virtude”, de tal modo que são merecedores de revelação: “a doutrina do sacerdócio destila-se sobre [a] alma como o orvalho do céu.” (D&C 121:45). Sem revelação é quase impossível compreender as coisas de Deus. “Mas o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porquanto se discernem espiritualmente.” (I Coríntios 2:14).

A busca pela "mente espiritual" deve ser o desejo de todos os que procuram aprender mais sobre Deus e seus procedimentos - e galgar a salvação eterna. Dado este aviso, apresentarei abaixo argumentos, escrituras e citações que podem contribuir na compreensão miníma do tema "mulheres e sacerdócio" - mas a convicção, o testemunho, advém apenas por meio de revelação. 

Ao ler as citações, escrituras e comentários abaixo é útil ter em mente o seguinte: “Jesus Cristo foi o maior defensor do sexo feminino no mundo” (Élder James E. Talmage, do Quórum dos Doze Apóstolos em seu livro Jesus, o Cristo, 3.a ed., 1916, p. 458).


Vida e Sacerdócio Pré Mortal 

Nossa existência não começou nesta Terra. Nosso espírito nasceu nos mundos eternos, e já possuía uma identidade masculina ou feminina (ver Família: Proclamação ao Mundo).

Em Alma 13 aprendemos que havia sacerdócio na pré-mortalidade. O Profeta Joseph Smith (1805–1844) ensinou que aqueles que são ordenados a um chamado na mortalidade foram preordenados para aquele chamado na vida pré-mortal: “Todo homem que tem o chamado de ministrar aos habitantes da Terra foi ordenado com esse mesmo propósito no Grande Conselho do Céu antes que o mundo existisse. Suponho que eu tenha sido ordenado para este exato ofício naquele Grande Conselho” [5]

Aqueles que foram “chamados e preparados desde a fundação do mundo” foram escolhidos por Deus na vida pré-mortal “por causa de sua grande fé e suas boas obras” (Alma 13:3; ver também D&C 138:55–56; Abraão 3:22–23). O Presidente Wilford Woodruff (1807–1898) ensinou que todos os élderes ou anciões de Israel que portam ou portavam o Sacerdócio de Melquisedeque foram preordenados e não só os profetas: “Joseph Smith foi chamado pelo Senhor antes de nascer, assim como Jeremias. (…) Assim, digo com respeito a Joseph Smith que ele recebeu seu chamado antes mesmo da fundação do mundo e nasceu no tempo certo do Senhor para estabelecer esta obra na Terra. E o mesmo aconteceu com dezenas de milhares de anciãos e de élderes de Israel. O Senhor Onipotente concedeu a vocês o Santo Sacerdócio e os transformou em instrumentos Seus para a edificação deste reino. Será que entendemos essas coisas tão plenamente quanto deveríamos?” [6]

Mas apenas homens foram pre-ordenados antes de nascermos na Terra? O Presidente Spencer W. Kimball (1895–1985) ensinou que tanto homens como mulheres receberam chamados na vida pré-mortal: “No mundo anterior a nossa vida aqui, as mulheres fiéis receberam certas tarefas a realizar enquanto os homens fiéis foram preordenados a realizar determinadas tarefas do sacerdócio. O fato de que agora não nos lembramos dos detalhes não altera a gloriosa realidade do que concordamos em fazer. Vocês são responsáveis por aquilo que já há muito tempo era esperado de vocês da mesma forma que aqueles a quem apoiamos como profetas e apóstolos são responsáveis pelo que se esperava deles [7]

É verdade que essas citações não confirmam que as mulheres receberam o sacerdócio (realizavam ordenanças, por exemplo) na vida pré-mortal - mas demonstram que elas foram chamadas e designadas a realizar "certas tarefas" nesta vida mortal.

O Presidente Joseph Fielding Smith ensinou: “Durante as eras em que vivemos no estado pré-mortal, não só desenvolvemos nossas várias características e demonstramos nossa dignidade e capacidade (ou a falta delas), como também esse progresso era observado. É plausível que houvesse uma Igreja organizada lá. Os seres celestiais viviam em uma sociedade perfeitamente organizada. Cada pessoa sabia qual era seu lugar. O sacerdócio, sem dúvida alguma, era conferido e foram escolhidos líderes para oficiar. Existiam ordenanças específicas dessa pré-existência que precisavam ser feitas e o amor de Deus prevalecia. Nessas condições era natural que nosso Pai percebesse e escolhesse os que eram mais dignos e avaliasse o talento de cada indivíduo. Ele não só sabia o que cada um de nós era capaz de fazer, mas também o que cada um faria quando posto à prova e quando recebesse responsabilidades. Depois, quando chegou a hora de habitarmos a Terra na mortalidade, todas as coisas foram preparadas e os servos do Senhor foram escolhidos e ordenados a suas respectivas missões” [8]


Chaves do Sacerdócio

"A compreensão que buscamos" sobre mulheres e sacerdócio, disse o Elder Dallin H. Oaks, "começa pelo entendimento das chaves do sacerdócio. “As chaves do sacerdócio são a autoridade que Deus concedeu aos [portadores] do sacerdócio para dirigir, controlar e governar a utilização de Seu sacerdócio na Terra”. [9] Toda ação ou ordenança feita é realizada com a autorização direta ou indireta de alguém que possui as chaves para essa função. Conforme explicou o Élder M. Russell Ballard: “Os detentores das chaves do sacerdócio (…) literalmente tornam possível que todos os que servem fielmente sob sua direção exerçam a autoridade do sacerdócio e tenham acesso ao poder do sacerdócio” [10]

No controle do exercício da autoridade do sacerdócio, a função das chaves do sacerdócio tanto amplia quanto limita. Amplia ao possibilitar que a autoridade e as bênçãos do sacerdócio estejam disponíveis para todos os filhos de Deus. Limita ao determinar quem receberá a autoridade do sacerdócio, quem terá seus ofícios e como seus direitos e poderes serão conferidos. Por exemplo: um homem que possui o sacerdócio não pode conferir seu ofício ou sua autoridade a outro, a menos que seja autorizado por alguém que possua as chaves. Sem essa autorização, a ordenação seria inválida. Isso explica por que um portador do sacerdócio — independentemente do ofício — não pode ordenar um membro de sua família ou administrar o sacramento em sua própria casa sem a autorização de alguém que possua as devidas chaves.

Com a exceção do trabalho sagrado que as irmãs realizam no templo sob as chaves que o presidente do templo possui, (...), somente alguém que possui um ofício no sacerdócio [um homem, portanto,] pode oficiar em uma ordenança do sacerdócio. E todas as ordenanças autorizadas do sacerdócio são documentadas nos registros da Igreja.

No final, é o Senhor Jesus Cristo quem possui todas as chaves do sacerdócio, porque Dele é o sacerdócio. Ele é quem determina quais chaves são delegadas aos seres mortais e como essas chaves devem ser usadas. Estamos acostumados a pensar que todas as chaves do sacerdócio foram conferidas a Joseph Smith no Templo de Kirtland, mas a escritura declara que tudo o que foi conferido foram “as chaves desta dispensação” (D&C 110:16). Em uma conferência geral há muitos anos, o Presidente Spencer W. Kimball nos lembrou de que há outras chaves do sacerdócio que não foram concedidas ao homem na Terra, incluindo as chaves da criação e da ressurreição.[11]

A natureza divina das limitações impostas ao exercício das chaves do sacerdócio explica um contraste fundamental entre as decisões sobre questões administrativas da Igreja e as decisões que afetam o sacerdócio. A Primeira Presidência e o Conselho da Primeira Presidência e do Quórum dos Doze, que presidem a Igreja, têm o poder de tomar muitas decisões que afetam as normas e os procedimentos da Igreja — questões como a localização dos edifícios da Igreja e a idade dos que servem como missionários. Mas, embora essas autoridades presidentes possuam e exerçam todas as chaves delegadas aos homens nesta dispensação, eles não são livres para alterar o padrão divinamente decretado de que somente os homens possuem ofícios no sacerdócio. [12]

O Elder Russell M. Ballard também disse: "Aqueles que têm as chaves do sacerdócio possibilitam que todos os que servem ou trabalham fielmente sob sua direção exerçam a autoridade do sacerdócio e tenham acesso ao poder do sacerdócio. Todos os homens e mulheres servem na Igreja sob a direção daqueles que têm chaves" [13]

Há uma história interessante no Velho Testamento que ilustra a importância das Chaves do Sacerdócio, e o respeito que homens e mulheres devem ter por estas Chaves.

"De acordo com o historiador Flávio Josefo, na época em que Moisés era general dos exércitos egípcios no ataque mulher daquela raça, para fazer uma aliança política e terminar a guerra. A razão ostensiva para as queixas de Miriã e Aarão era a de que os etíopes eram os descendentes não israelitas de Cuse . O motivo real da queixa, todavia, parece ter sido a inveja que tinham da posição que Moisés ocupava como líder espiritual e profeta de Israel.
O crescimento de Moisés gerou a inveja no coração de seu irmão e irmã, a quem Deus também havia ricamente abençoado e elevado a posições de destaque, pois Miriã era considerada uma profetisa sobre todas as mulheres de Israel, ao passo que Aarão havia galgado, com sua investidura no sumo sacerdócio , o posto de cabeça espiritual de toda a nação. Porém, o orgulho do ser natural não se satisfazia com isso. Eles tinham que disputar com seu irmão Moisés a preeminência de seu chamado especial e posição exclusiva a qual julgavam ter o direito de reclamar para si não somente como irmão e irmã do profeta, mas como os mais próximos sustentáculos de seu chamado. Miriã foi a instigadora de uma rebelião aberta, como podemos ver pelo fato de seu nome ser citado antes do de Aarão, e do verbo ser empregado no feminino." (Keil and Delitzsch, Commentary  1:3:75) Nota: No texto em hebraico o nome de Miriã, de fato, precede o de Aarão, e na mesma língua, os verbos são conjugados segundo número e gênero.
Hoje em dia, os membros da Igreja caem em idêntica armadilha. Em virtude de o Senhor abençoá-los com os dons do Espírito, julgam-se achar em posição superior ou equivalente à da autoridade do sacerdócio que os preside. Se não se humilharem e se submeterem aos servos de Deus que foram chamados para presidir, logo se encaminharão para a apostasia. Ainda que o Senhor satisfizesse o desejo de Moisés, e concedesse que todo membro da casa de Israel recebesse o dom da profecia (veja Números 11:29), Moisés ainda continuaria a ser o homem que Deus escolhera para presidir. Uma pergunta que sempre costuma surgir é: por que somente Miriã, e não Aarão, foi castigada com a lepra, quando ambos haviam-se rebelado? Há duas possíveis razões. Primeira, como afirmaram Keil
e Delitzsch, Miriã foi a instigadora da rebelião contra o direito que Moisés tinha de presidir. Consequentemente, seu pecado era de natureza mais grave. Em segundo lugar, o ato de Aarão procurar obter uma posição maior de liderança no sacerdócio era uma demonstração de orgulho
e avidez por engrandecimento pessoal. Ele aspirava a uma posição para a qual não fora chamado . Quando Miriã quis a mesma coisa, ela não somente demonstrou orgulho, como também tentou estabelecer uma ordem contrária ao sistema de governo estabelecido por Deus. Desde o princípio, os chamados no sacerdócio e o direito de presidir foram concedidos aos homens. A intenção que Miriã tinha de liderar num plano de igualdade com Moisés representava uma séria ruptura no sistema de ordem instituído por Deus."[14]


Igualdade

O Presidente Spencer W. Kimball ensinou: “Em sua sabedoria e misericórdia, nosso Pai fez os homens e mulheres dependentes entre si para o pleno desenvolvimento de seu potencial. Por ser sua natureza de certa forma diferente, eles podem complementar-se; por serem semelhantes em muitas coisas, podem-se compreender. Que nenhum dos dois sinta inveja do outro por causa de suas diferenças; que ambos discirnam o que é superficial e o que é basicamente belo nessas diferenças, e ajam de acordo com ela.” [15] 

Ele também disse: “Nós tivemos total igualdade como seus filhos espirituais. Temos igualdade como receptores do perfeito amor divino. (...)  Dentro dessas grandes garantias, contudo, nosso papel e designações diferem. São diferenças eternas—as mulheres arcando com as muitas e imensas responsabilidades da maternidade e irmandade, e os homens carregando as enormes responsabilidades da paternidade e do sacerdócio.” [16]

"Vocês, [mulheres], não foram criadas iguais aos homens. Seus atributos naturais, afeto e personalidade são inteiramente diferentes daqueles que os homens possuem. Eles consistem de fidelidade, benevolência, bondade e caridade. Eles lhes dão a personalidade de uma mulher. Também equilibram a natureza mais agressiva e competitiva do homem." [17]

O Presidente James E. Faust disse: "“Antes de nascermos, homens e mulheres, assumimos certos compromissos e concordamos em vir à Terra munidos de dons excelentes, mas diferentes. Nós, homens e mulheres, fomos chamados para realizar obras grandiosas, com designações diferentes e cada qual à sua maneira. (…) Tornar-se semelhante ao homem não é a resposta. O melhor é serem quem são e viverem à altura de seu potencial divino, cumprindo com os compromissos eternos. (…) Todas vocês, em algum momento, têm de seguir seus instintos femininos, o que o Profeta Joseph Smith disse estar em conformidade com a sua natureza. Ele disse: ‘Se viverem à altura de seus privilégios, não se poderá impedir que os anjos sejam seus companheiros’. [18] Devem atender sem reservas a esses instintos e à inspiração de fazer o bem. Mantenham a alma em silêncio e escutem
os sussurros do Espírito Santo. Sigam os sentimentos nobres e intuitivos incutidos profundamente em sua alma pela Deidade no mundo anterior. Dessa forma, estarão agindo de acordo com o Espírito Santo de Deus e serão santificadas pela verdade. Fazendo isso, serão honradas e amadas eternamente. Muito de seu trabalho é enriquecer a humanidade com sua grandiosa capacidade de nutrirem e serem misericordiosas.” [19]

O Presidente Thomas S. Monson enfatizou: "O que as modernistas, sim, as feministas, se esquecem
é que as mulheres, além de serem pessoas, também pertencem a um sexo, e que a essa diferença de sexo estão associadas importantes diferenças de papel e comportamento. A igualdade de direitos não implica em igualdade de papéis. Conforme declarou o Apóstolo Paulo: ‘(…) Nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor’. (I Coríntios 11:11)” [20] 

O Presidente Body K. Packer disse: "A não ser que Adão e Eva fossem diferentes um do outro por natureza, eles não poderiam multiplicar-se e encher a terra [ver Gênesis 1:28]. As diferenças que se complementam são as verdadeiras chaves do plano de felicidade. Algumas funções são mais apropriadas à natureza masculina e outras à natureza feminina.”[21]

O Elder Oaks também disse: “Vivemos numa época em que muitas pressões políticas legais e sociais exigem mudanças que confundem os sexos e procuram derrubar as diferenças entre homem e mulher. Nossa perspectiva eterna faz com que nos oponhamos a mudanças nos deveres e privilégios distintos do homem e da mulher, que são essenciais ao cumprimento do grande plano de felicidade. Não nos opomos a todas as mudanças no modo de tratar os homens e as mulheres, uma vez que algumas dessas mudanças na lei e costumes visam simplesmente corrigir erros passados que não se fundamentavam em princípios eternos.” [22]


Mulheres na Igreja

O Elder Neal A. Maxwell disse: “Conhecemos tão pouco, irmãos e irmãs, acima das razões para a divisão de deveres entre as mulheres e os homens, quanto entre a maternidade e o sacerdócio. Tais deveres foram divinamente determinados em outro tempo e em outro lugar. (…) Nós, homens, sabemos quem são as mulheres de Deus. Conhecemo-las como esposas, mães, irmãs, filhas, colegas e amigas. Vocês [mulheres] parecem controlar-nos e gentilmente elevar-nos, e também ensinar-nos e inspirar-nos. Por vocês, temos admiração, bem como afeto, porque a retidão não depende do papel desempenhado, tampouco a bondade está vinculada ao sexo masculino ou feminino. No trabalho do reino, homens e mulheres não podem existir uns sem os outros, e não sentem inveja uns dos outros, para que não acabemos por destruir a feminilidade e a masculinidade, negando ou alterando seus respectivos papéis.” [23]

Por que os homens, e não as mulheres, são ordenados aos ofícios do sacerdócio? O Presidente Gordon B. Hinckley (1910–2008) explicou que foi o Senhor, e não o homem, “que determinou que os homens de Sua Igreja deveriam ter o sacerdócio”, e que também foi o Senhor que concedeu às mulheres “a capacidade de completar esta grande e maravilhosa organização, que é a Igreja e o reino de Deus”. [24] O Senhor não explicou por que Ele organizou Sua Igreja da maneira que o fez.

Elder Ballard acrescentou: "Essa questão, como muitas outras, resume-se em nossa fé. Será que acreditamos que esta é a Igreja do Senhor? Será que acreditamos que Ele a organizou de acordo com Seus propósitos e Sua sabedoria? Será que acreditamos que a sabedoria Dele excede em muito a nossa? Será que acreditamos que Ele organizou Sua Igreja de modo que seria a maior bênção possível para todos os Seus filhos, tanto homens quanto mulheres?

Testifico que essas coisas são verdadeiras. Testifico que esta é a Igreja do Senhor. As mulheres fazem parte integral do governo e da obra da Igreja por meio do serviço como líderes da Sociedade de Socorro, das Moças e da Primária; por meio do serviço como professoras, missionárias de tempo integral e oficiantes de ordenanças do templo; e no lar, onde acontece o ensino mais importante da Igreja."  [25]

A Organização das mulheres na Igreja - Sociedade de Socorro - é parte vital da Restauração do Evangelho. O Profeta em certa ocasião declarou: “A Igreja não estava perfeitamente organizada até que as mulheres fossem assim organizadas”.[26] A irmã Eliza R. Snow, segunda presidente geral da Sociedade de Socorro, reiterou esse ensinamento. Ela disse: “Embora o nome seja moderno, a instituição tem origem antiga. Foi-nos dito por nosso profeta martirizado que a mesma organização existia antigamente na Igreja”. [27]

Além de Joseph Smith, outros profetas modernos testificaram que a organização da Sociedade de Socorro foi uma parte inspirada da Restauração, por meio da qual as mulheres da Igreja são chamadas para ocupar cargos eclesiásticos, para servir umas às outras e abençoar toda a Igreja. O Presidente Joseph F. Smith, sexto Presidente da Igreja, disse: “Esta organização foi criada por Deus, autorizada por Deus, instituída por Deus e ordenada por Deus a ministrar em favor da salvação da alma das mulheres e dos homens”. [28] Para um grupo de irmãs da Sociedade de Socorro, o Presidente Lorenzo Snow, quinto Presidente da Igreja, disse: “Vocês sempre estiveram ao lado do Sacerdócio, prontas para fortalecer-lhes a mão e fazer sua parte, ajudando a levar adiante os interesses do reino de Deus; e, ao compartilharem esses trabalhos, vocês sem dúvida compartilharão o triunfo da obra e a exaltação e a glória que o Senhor dará a Seus filhos fiéis” [29]


As mulheres tem autoridade do Sacerdócio

Num discurso para a Sociedade de Socorro, o Presidente Joseph Fielding Smith, que na época era o Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos, disse o seguinte: “Embora as irmãs não tenham recebido o sacerdócio, ele não foi conferido a elas, isso não significa que o Senhor não lhes concedeu autoridade. (…) Um homem ou uma mulher podem receber autoridade para fazer certas coisas na Igreja que são válidas e absolutamente necessárias para nossa salvação, como o trabalho que nossas irmãs realizam na casa do Senhor. Elas receberam autoridade para realizar algumas coisas grandiosas e maravilhosas, sagradas para o Senhor, e tão absolutamente válidas quanto as bênçãos concedidas aos homens que possuem o sacerdócio. [30]

O Elder Oaks, comentando a citação acima disse: "Nesse extraordinário discurso, o Presidente Smith disse muitas e muitas vezes que as mulheres receberam autoridade. Para as mulheres, ele disse: “Vocês podem falar com autoridade, porque o Senhor lhes concedeu autoridade”. Também disse que a Sociedade de Socorro “recebeu poder e autoridade para realizar muitas coisas grandiosas. O trabalho que elas realizam é feito por autoridade divina”. E evidentemente, o trabalho da Igreja realizado por homens ou mulheres, seja no templo, nas alas ou nos ramos, é feito sob a direção daqueles que possuem as chaves do sacerdócio. Assim, falando a respeito da Sociedade de Socorro, o Presidente Smith explicou: “[O Senhor] lhes deu essa grande organização na qual elas têm autoridade para servir sob a direção do bispo da ala (…), cuidando dos interesses de nosso povo tanto espiritual quanto materialmente”.

Assim, verdadeiramente foi dito que a Sociedade de Socorro não é apenas uma classe para as mulheres, mas algo do qual elas fazem parte: um apêndice divinamente estabelecido do sacerdócio.

Não estamos acostumados a dizer que as mulheres têm a autoridade do sacerdócio em seu chamado na Igreja, mas que outra autoridade poderia ser? Quando uma mulher — jovem ou idosa — é designada a pregar o evangelho como missionária de tempo integral, ela recebe a autoridade do sacerdócio para realizar uma função do sacerdócio. O mesmo se aplica quando uma mulher é designada para atuar como líder ou professora em uma organização da Igreja, sob a direção de alguém que possui as chaves do sacerdócio. Qualquer pessoa que atue em um ofício ou chamado recebido de alguém que possui as chaves do sacerdócio exerce a autoridade do sacerdócio ao cumprir seus deveres designados." [31]


Conclusão

Elder Dallin H. Oaks disse: "O Senhor determinou que somente os homens serão ordenados a ofícios do sacerdócio. Mas, como vários líderes da Igreja salientaram, os homens não são “o sacerdócio”. [32] Os homens possuem o sacerdócio, com o sagrado dever de usá-lo para abençoar todos os filhos de Deus.

O maior poder que Deus concedeu a Seus filhos não pode ser exercido sem a companhia de uma de Suas filhas, porque somente para Suas filhas Deus concedeu o poder de “ser uma criadora de corpos (…) para que o desígnio de Deus e o Grande Plano possam ser realizados”. [33] Essas foram as palavras do Presidente J. Reuben Clark.

Ele continuou: “Esse é o lugar das esposas e mães no Plano Eterno. Elas não são portadoras do sacerdócio, não têm o encargo de cumprir os deveres e as funções do sacerdócio nem estão sobrecarregadas com suas responsabilidades; elas são as edificadoras e as organizadoras sob seu poder e partilham de suas bênçãos, possuindo o complemento dos poderes do sacerdócio e uma função tão divinamente chamada, tão eternamente importante em seu lugar quanto o próprio sacerdócio” [34]

Nessas palavras inspiradas, o Presidente Clark estava falando da família. Conforme é declarado na proclamação sobre a família, o pai preside a família, e ele e a mãe têm responsabilidades separadas, mas “têm a obrigação de ajudar-se mutuamente, como parceiros iguais”.[35] Alguns anos antes da proclamação sobre a família, o Presidente Spencer W. Kimball deu esta explicação inspirada: “Quando nos referimos ao casamento como uma parceria, falamos do casamento como uma parceria plena. Não queremos que nossas mulheres SUD sejam parceiras caladas ou limitadasnessa designação eterna! Por favor, sejam parceiras plenas que contribuem." [36]

À vista de Deus, quer na Igreja ou na família, as mulheres e os homens são iguais, mas têm responsabilidades diferentes." [37]

O Elder Ballard também testificou: "Quando homens e mulheres vão ao templo, ambos são investidos com o mesmo poder, que por definição é o poder do sacerdócio. Embora a autoridade do sacerdócio seja dirigida pelas chaves do sacerdócio e as chaves do sacerdócio sejam conferidas apenas aos homens dignos, as bênçãos do sacerdócio estão à disposição de todos os filhos de Deus.
Aqueles que entram nas águas do batismo e subsequentemente recebem sua investidura na casa do Senhor têm direito a ricas e maravilhosas bênçãos. A investidura é literalmente uma dádiva de poder. Todos os que entram na casa do Senhor oficiam nas ordenanças do sacerdócio.
Nosso Pai Celestial é generoso com Seu poder. Todos os homens e todas as mulheres têm acesso a esse poder para ajudá-los em sua própria vida. Todos aqueles que fizeram convênios sagrados com o Senhor e que honram esses convênios têm direito de receber revelação pessoal, de ser abençoados pelo ministério de anjos, de ter comunhão com Deus, de receber a plenitude do evangelho e, no final, de tornar-se herdeiros juntamente com Jesus Cristo de tudo o que o Pai possui." [38]

Ele também endossou: "Os homens e as mulheres são iguais à vista de Deus e da Igreja, mas igual não significa idêntico. As responsabilidades e os dons divinos dos homens e das mulheres diferem em natureza, mas não em importância ou influência. Deus não considera um sexo melhor ou mais importante do que o outro. (...) Algumas ficam confusas e deixam de pensar direito ao comparar as designações dos homens com as das mulheres e vice-versa. As mulheres vieram à Terra com dons espirituais e propensões inigualáveis. Isso se aplica especialmente no tocante aos filhos e à família e ao bem-estar e à edificação de outras pessoas.
Os homens e as mulheres têm dons, pontos fortes, pontos de vista e inclinações diferentes. Essa é uma das razões fundamentais pelas quais precisamos uns dos outros. Precisa-se de um homem e de uma mulher para criar uma família, e precisa-se de homens e mulheres para se levar adiante a obra do Senhor. Um marido e uma mulher que trabalham juntos em retidão completam-se mutuamente. Tomemos cuidado para não tentar alterar o plano e os propósitos do Pai Celestial em nossa vida." [39]

Dirigindo-se a mulheres o Elder Ballard disse: "Não gastem seu tempo tentando consertar ou ajustar o plano de Deus. Não há tempo para isso. É um exercício inútil tentar determinar como organizar a Igreja do Senhor de modo diferente. O Salvador está à testa desta Igreja, e todos nós seguimos Sua direção. Tanto os homens quanto as mulheres precisam aumentar sua fé e seu testemunho da vida e da Expiação de nosso Senhor Jesus Cristo e aumentar seu conhecimento de Seus ensinamentos e de Sua doutrina. Precisamos de uma mente clara para que o Espírito Santo possa ensinar-nos o que fazer e o que dizer. Precisamos pensar direito neste mundo de confusão e de desprezo pelas coisas de Deus.
Irmãs, sua esfera de influência é inigualável — uma esfera que não pode ser duplicada pelos homens. Ninguém pode defender nosso Salvador com mais persuasão ou poder do que vocês: as filhas de Deus que têm essa força e convicção interiores. O poder da voz de uma mulher convertida é imensurável, e a Igreja necessita de sua voz agora mais do que nunca." [40]



COMENTÁRIOS ADICIONAIS

Quem são as profetisas mencionadas nas escrituras?
Há dois significados para esta palavra - profetisa. Mas nenhum deles deduz que alguma mulher recebeu o sacerdócio. Profetisa pode ser a esposa do profeta (Isaías 8:3). Outro significado é que qualquer mulher capaz de receber revelação é uma profetisa. Neste sentido Eva foi a primeira profetiza (Moisés 5:9-11). No mais lato sentido, todo santo deveria ser um profeta. Explica o Élder Bruce R. McConkie: "Profetas são simplesmente membros da verdadeira Igreja que tem testemunho da veracidade e divindade da obra. São os santos de Deus que aprenderam pelo poder do Espírito Santo que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivente. "Um visitante celeste, ao qual o Senhor concedera seu nome, disse ao Apóstolo João: 'O testemunho de Jesus é o espírito de profecia.' (Apocalipse 19:10.) Isto é, toda pessoa que recebe revelação de modo que possa reconhecer, independente de qualquer outra fonte, a filiação divina do Salvador, possui por definição e pela própria natureza das coisas, o espírito de profecia, e é um profeta. Assim exclamou Moisés: 'Oxalá que todo o povo do Senhor [incluindo mulheres] fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu espírito!' (Números 11 :29.) E Paulo igualmente aconselhava os santos [tanto mulheres quanto homens]: 'Procurai, com zelo, profetizar', e prometia aos fiéis entre eles: 'Todos podereis profetizar'
(I Coríntios 14:31-39).(The Promised Messiah, pp. 23-24.)
A ideia de que Cristo chamou apóstolos femininos não é amparada pelas escrituras e pelos registros históricos confiáveis que dispomos.

Por que Emma Smith foi ordenada?
Emma Smith não foi ordenada, foi designada (em D&C 25). Seu chamado foi a de ajudar Joseph e ser a Primeira Presidente Geral da Sociedade de Socorro. O Presidente Joseph Fielding Smith explicou:"Quando o Profeta foi investido com a "presidência do sumo sacerdócio" diz a história que lhe foi ordenado (D&C 107:22) hoje diríamos que foi designado. Nos primórdios da Igreja usava se o termo ordenar para tudo (D&C 20:67) até mesmo quando se designavam irmãs para presidir a Sociedade Socorro." (Doutrinas de Salvação, Volume 3 pg. 108)

Mulheres podem impor as mãos?
Hoje isso é incomum. O Presidente Joseph Fielding Smith disse: "Os irmãos não consideram necessário ou prudente que as mulheres da Sociedade de Socorro lavem e  unjam as mulheres enfermas. O Senhor deu-nos instruções nesses assuntos; devemos chamar o élderes que ungirão sua cabeça com óleo e as abençoarão pela imposição de mãos.
A Igreja ensina que uma mulher pode colocar as mãos sobre a cabeça de uma criança enferma e pedir ao Senhor que abençoe, caso não possam estar presente portadores do sacerdócio. Nessas condições o homem pode pedir a esposa que imponha as mãos com ele  ao abençoar um filho doente. Isso seria seria mero exercício de sua fé e não por qualquer direito inerente de impor as mãos. A mulher não tem autoridade alguma para ungir ou selar uma benção. Chamar os élderes é a maneira apropriada deseja executar uma administração.  (Doutrinas de Salvação, Volume 3 pg. 180-181)

A mulheres um dia receberão o Sacerdócio?
As mulheres já agem no sacerdócio, ou seja, com autoridade do Sacerdócio. Mas elas não portam o sacerdócio e não recebem chaves do sacerdócio. Não sabemos se elas receberão o sacerdócio na eternidade. O Presidente Joseph Fielding Smith disse: "Nada existe nos ensinamentos do evangelho que declara o homem superior a mulher. O Senhor deu ao homem o poder do sacerdócio e enviou-o a trabalhar no seu serviço. O chamado da mulher está em outra direção. O mais nobre elevado de todos os chamados é o que foi dado a mulher como mãe do homem. As mulheres não são portadores do sacerdócio; mas se forem fiéis e sinceros tornar-se-ão sacerdotisas e rainhas do Reino de Deus e isso implica que receberam autoridade. As mulheres não portam o sacerdócio juntamente com seu maridos, mas colhem os benefícios provenientes dele." (Doutrinas de Salvação, Volume 3 pg. 180). Devo acrescentar que as mulheres que forem exaltadas tornar-se-ão rainhas e sacerdotisas ao lado de seus respectivos maridos. Elas terão poder e autoridade e regerão mundos com vara de ferro (Apocalipse 2:27)

Paulo disse que as mulheres devem ficar cladas na Igreja. O que isso significa?
Em ambos os versículos (I Corintios 14:34-35), Joseph Smith alterou a palavra falar para governar na versão inspirada. O Élder Bruce R. McConkie escreveu: "As mulheres podem falar na Igreja? Sim, no sentido de ensinar, aconselhar, testificar, exortar e coisas semelhantes; não no de assumirem a liderança da Igreja, ou de tentarem instruir como devem ser dirigidos os negócios de Deus na Terra: ''Nenhum direito tem uma mulher de fundar ou organizar uma igreja. Deus jamais as enviou para fazer esse trabalho." (Ensinamentos p. 207) Nessa passagem, Paulo esta dizendo as irmãs que elas são sujeitas ao sacerdócio, que não lhes e dado dirigir e reinar, que a esposa do bispo não é o bispo.'' (DNTC, Vol. 2, pp: 387-88.)

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NO SITE OFICIAL DA IGREJA HÁ UMA ÓTIMA EXPLANAÇÃO SOBRE O ASSUNTO A QUAL CITAMOS A SEGUIR (APENAS TRECHOS QUE ACRESCENTAM ALGO AO QUE FOI DITO POR NÓS ACIMA). LEIA O TEXTO COMPLETO AQUI, INCLUSIVE COM AS NOTAS.

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"Dois aspectos dos ensinamentos de Joseph Smith para as mulheres da Sociedade de Socorro não são muito conhecidos pelos membros da Igreja hoje. O primeiro é o uso que ele fazia das palavras associadas ao sacerdócio. Ao organizar a Sociedade de Socorro, Joseph falou sobre “ordenação” de mulheres e disse que as líderes da Sociedade de Socorro “presidiriam a Sociedade”. Também declarou: “Agora passo a chave a vocês em nome de Deus”.

Essas declarações indicam que Joseph Smith delegou a autoridade do sacerdócio para as mulheres da Sociedade de Socorro. As palavras de Joseph podem ser mais plenamente compreendidas no contexto histórico. Durante o século 19, os santos dos últimos dias usavam o termo chaves para referir-se, em diversos momentos, à autoridade, ao conhecimento ou às ordenanças do templo. Da mesma forma, os mórmons, às vezes, usaram o termo ordenar em um sentido amplo, muitas vezes indistintamente com designar e nem sempre se referindo ao ofício do sacerdócio. Sobre esses assuntos, as ações de Joseph mostram o significado de suas palavras: nem Joseph Smith, nem qualquer pessoa agindo em nome dele, ou nenhum dos seus sucessores conferiu o Sacerdócio Aarônico ou de Melquisedeque às mulheres ou ordenou mulheres aos ofícios do sacerdócio.

Anos mais tarde, palavras como ordenação e chaves foram mais precisamente definidas quando o Presidente John Taylor, que agiu por designação de Joseph Smith para “ordenar e designar por imposição de mãos” Emma Smith e suas conselheiras, explicou em 1880 que “a ordenação então dada não significava a concessão do sacerdócio para aquelas irmãs”. As mulheres receberam autoridade para presidir a organização de mulheres e designar líderes, conforme necessário, para dirigir a organização no padrão do sacerdócio, inclusive sendo guiadas por uma presidente, com conselheiras. Na época da declaração do Presidente Taylor, as organizações lideradas por mulheres já haviam sido organizadas também para as moças e para as crianças. Essas organizações também tinham presidências, que agiam de acordo com a autoridade delegada do sacerdócio.

O segundo aspecto dos ensinamentos de Joseph Smith para a Sociedade de Socorro, que não são muito conhecidos hoje em dia é o seu aval para a participação das mulheres nas bênçãos de cura. “A respeito da imposição das mãos pelas mulheres”, as atas da Sociedade de Socorro de Nauvoo registram que Joseph disse que: “Não é pecado para ninguém que tenha fé, fazê-lo” e admoestou: “Se as irmãs tiverem fé para curar os enfermos, que todos refreiem sua língua e deixem que a prática continue”. Algumas mulheres tinham dado essas bênçãos desde os primórdios da Igreja. Naquela época, os santos dos últimos dias compreendiam o dom de cura basicamente como ensinado no Novo Testamento, que era um dos dons do espírito disponível para os fiéis por meio da fé. Joseph Smith ensinou que o dom da cura era um sinal que seguiria “todos os que crerem, sejam eles homens ou mulheres”.

Durante o século 19, as mulheres frequentemente abençoavam os doentes pela oração da fé, e muitas mulheres receberam as bênçãos do sacerdócio prometendo que elas teriam o dom da cura. “Já vi muitas manifestações do poder e bênção de Deus através da ministração aos doentes pelas irmãs”, testificou Elizabeth Ann Smith Whitney, que foi, conforme seu próprio relato, abençoada por Joseph Smith para exercer esse dom. Em relação a essas bênçãos de cura, a Presidente Geral Sociedade de Socorro, Eliza R. Snow explicou em 1883: “As mulheres podem ministrar em nome de JESUS, mas não em virtude do sacerdócio”.

A participação das mulheres nas bênçãos de cura diminuiu gradualmente no início do século 20 quando os líderes da Igreja ensinaram que era melhor seguir a instrução do Novo Testamento para “cham[ar] os anciãos”. Por volta de 1926, o Presidente da Igreja Heber J. Grant afirmou que a Primeira Presidência “não incentivem o pedido de chamar as irmãs para ministrar aos doentes, porque as escrituras nos dizem para chamar os élderes, que possuem o sacerdócio de Deus e têm o poder e a autoridade para ministrar aos doentes em nome de Jesus Cristo”. O atual Manual de Instruçõesorienta que “somente portadores do Sacerdócio de Melquisedeque podem dar bênçãos aos enfermos ou aflitos”.

(...)

Nos últimos dois anos de sua vida, Joseph Smith apresentou as ordenanças e os convênios do templo a um grupo seleto de homens e mulheres. Em maio de 1842, ele oficiou nas primeiras investiduras do templo — uma ordenança na qual os participantes fizeram convênios sagrados e receberam instruções sobre o plano de salvação de Deus.Joseph Smith começou fazendo o selamento (ou casamento para a eternidade) de maridos e esposas e, em seguida, providenciou as ordenanças de investidura para as mulheres, por volta do final de setembro de 1843. Ele ensinou os homens e as mulheres que, ao receber as ordenanças do templo, concluindo com a ordenança de selamento, eles entraram em uma “ordem do sacerdócio”. Por ocasião de sua morte, ele tinha ministrado essas ordenanças para várias dezenas de homens e mulheres, que se reuniram com frequência para orar e participar das cerimônias do templo enquanto aguardavam a conclusão do Templo de Nauvoo, em dezembro de 1845.

As ordenanças do templo eram ordenanças do sacerdócio, mas elas não concediam ofícios eclesiásticos aos homens ou às mulheres. Elas cumpriam a promessa do Senhor a seu povo — homens e mulheres — de que seriam “investidos de poder do alto”. Esse poder do sacerdócio manifestou-se na vida das pessoas de muitas maneiras e foi disponibilizado aos membros adultos, independentemente do estado civil. A investidura abriu os canais da revelação pessoal para homens e mulheres. Ela concedeu uma maior medida de “fé e conhecimento” e a “ajuda do Espírito do Senhor” — poder que fortaleceu os santos para as dificuldades subsequentes que enfrentariam, enquanto viajavam os 2100 quilômetros, em um deserto perigoso e se estabeleciam no vale de Salt Lake. Preparou os santos dos últimos dias que receberam a investidura para seguir em frente, “armados de teu poder [de Deus]” para “prestar novas sumamente grandes e gloriosas (…) até os confins da Terra”. De fato, por meio das ordenanças do templo, manifestava-se o poder da divindade na vida deles.

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A autoridade do sacerdócio exercida por mulheres santos dos últimos dias no templo e em outros lugares permanece desconhecida em grande parte por pessoas fora da Igreja e às vezes é mal compreendida ou ignorada por aquelas que estão dentro dela. Os santos dos últimos dias e outras pessoas com frequência erroneamente igualam o sacerdócio aos ofícios religiosos e aos homens que os possuem, o que obscurece o conceito mais amplo dos santos dos últimos dias sobre o sacerdócio.

Hoje em dia, as mulheres da Igreja lideram três organizações dentro da Igreja: a Sociedade de Socorro, as Moças e a Primária. Elas pregam e oram nas congregações, preenchem várias posições de liderança e serviço, participam de conselhos do sacerdócio a nível local e geral e servem em uma missão formal de proselitismo em todo o mundo. Dessas e de outras maneiras, as mulheres exercem a autoridade do sacerdócio, mesmo que não sejam ordenadas ao ofício do sacerdócio. Tal serviço e liderança exigem ordenação em muitas outras denominações religiosas."



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NOTAS

[1] Joseph F. Smith, Gospel Doctrine, 5ª ed., 1939, p. 139; ver também Classics in Mormon Literature, 1986, p. 139.

[2] Boyd K. Packer, “O Poder do Sacerdócio no Lar” (Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, 11 de fevereiro de 2012); LDS.org/broadcasts; ver também James E. Faust, “Poder do Sacerdócio”, A Liahona, julho de 1997, p. 46.

[3] “As chaves e a Autoridade do Sacerdócio”, Conferência Geral Abril de 2014.

[4] “Os homens e a mulheres e o poder do Sacerdócio”, A Liahona, Setembro de 2014.

[5]  History of the Church, vol. 6, p. 364

[6] Discourses of Wilford Woodruff, G. Homer Durham (org.), 1990, pp. 281–282; ver também Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Wilford Woodruff, 2004, p. 15.

[7] “The Role of Righteous Women”, Ensign, novembro de 1979, p. 102.

[8] The Way to Perfection, 1970, pp. 50–51

[9] Manual 2: Administração da Igreja, 2010, 2.1.1.

[10] M. Russell Ballard, “Homens e Mulheres na Obra do Senhor”, A Liahona, abril de 2014, p. 46; ver também Filhas em Meu Reino: A História e o Trabalho da Sociedade de Socorro, 2011, pp. 150–152.

[11] Ver Spencer W. Kimball, “Our Great Potential”,Ensign, maio de 1977, p. 49.

[12] Idem a Nota 3

[13] "Homens e Mulheres e o poder do Sacerdócio", A Liahona Setembro de 2014.

[14] Manual do Curso do Velho Testamento - Curso 301 - Manual do Aluno, pg. 201

[15] “Sociedade de Socorro, Sua Promessa e Potencial”, A Liahona, março de 1977, p. 3

[16] “O Papel das Mulheres Justas”, A Liahona, março de 1980, p. 152.

[17] Teachings of Ezra Taft Benson, pp. 547–548.

[18] Teachings of the Prophet Joseph Smith, p. 226

[19] “How Near to the Angels”, Ensign, maio de 1998, pp. 95–97

[20] “The Women’s Movement: Liberation or Deception?” Ensign, janeiro de 1971, p. 20

[21]  A Liahona, janeiro de 1994, p. 23

[22]  A Liahona‚ janeiro de 1994, pp. 79–80

[23] Conference Report, abril de 1978, p. 13; ou Ensign, maio de 1978, p. 10

[24] Gordon B. Hinckley, “Mulheres da Igreja”, A Liahona, janeiro de 1997, p. 72.

[25] Idem a Nota 13

[26] Joseph Smith, citado em Sarah M. Kimball, “Auto-biography”, Woman’s Exponent, 1º de setembro de 1883, p. 51; ver também Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 474.

[27] Eliza R. Snow, “Female Relief Society”, Deseret News, 22 de abril de 1868, p. 1; pontuação padronizada.

[28] Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph F. Smith, 1998, p. 184

[29] Lorenzo Snow, “Pres. Snow to Relief Societies”, Deseret Evening News, 9 de julho de 1901, p. 1.
[30] Joseph Fielding Smith, “Relief Society—an Aid to the Priesthood”, Relief Society Magazine, janeiro de 1959, p. 4.

[31] Idem a Nota 3

[32] Ver James E. Faust, “Vocês Todas Vieram do Céu”,A Liahona, novembro de 2002, p. 110; M. Russell Ballard, “Esta É Minha Obra e Minha Glória”, A Liahona, maio de 2013, p. 18; Dallin H. Oaks, “A Autoridade do Sacerdócio na Família e na Igreja”, A Liahona, novembro de 2005, p. 24. Às vezes dizemos que a Sociedade de Socorro é “parceira do sacerdócio”. Seria mais correto dizer que no trabalho do Senhor a Sociedade de Socorro e as mulheres da Igreja são “parceiras dos portadores do sacerdócio”.

[33] J. Reuben Clark Jr., “Our Wives and Our Mothers in the Eternal Plan”, Relief Society Magazine, dezembro de 1946, p. 800.

[34] J. Reuben Clark Jr. “Our Wives and Mothers”, p. 801.

[35] “A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, novembro de 2010, última contracapa.

[36] Spencer W. Kimball, “Privileges and Responsibilities of Sisters”, Ensign, novembro de 1978, p. 106.

[37] Idem a Nota 3

[38] Idem a Nota 4

[39] Idem a Nota 4

[40] Idem a Nota 4


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