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A Partir do Cumora - Evidências Arqueológicas do Livro de Mórmon pelo Profº Hugh Nibley - parte 1

Hugh Nibley foi um dos mais influentes estudiosos do mundo mórmon. Seus trabalhos de pesquisa arqueológica, histórica e teológica são vastos e abrangem um profundo conhecimento em línguas antigas. Não seria exagero dizer que ele é um dos maiores acadêmicos da Igreja. O texto a seguir é parte de vários artigos que foram publicados na revista da Igreja A Liahona, a partir de Junho de 1966. Eles não estão disponíveis no site oficial em português no momento, razão pela qual disponibilizamos a seguir, com a advertência que atualizamos pontuação, grafia e adequamos os parágrafos e atualizamos as passagens das escrituras para a versão das edições recentes, exceto quando isso comprometeria o entendimento do texto. Também notas foram acrescentadas para explicações necessárias entre parenteses com o seguinte símbolo: *NT.

Os trechos são, na verdade, a tradução de um livro de Nibley, lançado pouco tempo depois da fantástica descoberta dos Pergaminhos do Mar Morto e outros.

Esta é a primeira parte deste trabalho, chamado de "A partir do Cumora". Boa leitura!


Introdução

Um levantamento claro e completo dos recém-descobertos tesouros de manuscritos judaicos e cristãos ocuparia milhares de páginas. Apresentar tal material em forma sucinta e ao mesmo tempo fazer-lhe justiça é impraticável. Deveríamos buscar os detalhes? Logo descobriríamos a insensatez disso. Por outro lado, omitir a vasta complexidade do quadro é o mesmo que perder sua qualidade peculiar e essencial. Também, não podemos simplesmente furtar-nos ao assunto, sem fazer comentários, porquanto o que estamos presenciando é de imensa importância. O propósito das páginas um tanto maçantes que se seguem é o de conduzir o assunto para coisas melhores, dando ao leitor alguma ideia do material com que estamos lidando, da qualidade e natureza dos escritos que estão agora sendo lidos com assombro e espanto por muitos estudiosos de religião, bem como a estranha doutrina e os desconcertantes problemas que apresentam. O tanto ou quanto fastidioso estudo preliminar que se segue, não pode ser evitado; não se pode apreciar o espetáculo que se segue sem um programa, não importa quão insípido o mesmo possa parecer. Se o leitor sentir-se um tanto aparvalhado de início, deverá ter em mente que todos os eruditos estão como que se debatendo na maré de pergaminhos e papiros em que foram apanhados de surpresa. Se não formos capazes de nadar ou passar a vau por essas águas, podemos pelo menos nos aventurar até à praia, para ver o porque de toda a excitação. 

Chegou o momento de os santos dos últimos dias voltarem suas atenções aos documentos judaicos e cristãos, cuja descoberta nos anos recentes e, especialmente a partir da Segunda Guerra Mundial, produziu uma reavaliação radical de todas as opiniões estabelecidas a respeito da natureza das duas religiões e suas escrituras. O significado dessas descobertas pode ser demonstrado mais eficientemente se fizermos referência a um certo número de proposições apresentadas pelo Livro de Mórmon, a primeira das quais tiramos do décimo terceiro capítulo de 1 Néfi. A proposição número um é que a Bíblia veio ao mundo em forma mutilada:
"(...) pois eis que tiraram do evangelho do Cordeiro muitas partes que são claras e sumamente preciosas; e também muitos convênios do Senhor foram tirados. (...) por causa dessas coisas que foram suprimidas do evangelho do Cordeiro, um grande número tropeça (...)” (1 Néfi 13:26, 29)

A proposição número dois é que o Senhor porá fim a esse estado de coisas, trazendo mais informações:
“(...) serei misericordioso para com os gentios, naquele dia, tanto que lhes trarei pelo meu próprio poder muito do meu evangelho, que será claro e precioso, diz o Cordeiro.” (1 Néfi 13:34)
Este conhecimento deveria ser conferido por documentos escritos, incluindo-se algumas das escrituras de Néfi e seus descendentes, “escondidas, para serem reveladas aos gentios”
(1 Néfi 13:35) Além disso, foi escrito que receberíamos "outros livros" (1 Néfi 39-40, ambos no plural), que deveriam circular entre os gentios antes de sua conversão ao evangelho.

Desde que o capítulo torna claro que os gentios a quem se refere não são a Igreja, podemos compreender que os livros e registros que deverão aparecer entre os gentios, serão outros escritos que não os do Livro de Mórmon. [1] Para não nos alongarmos demais: pouco importa se nós virmos em 1 Nefi 13, referências apenas à Bíblia e ao Livro de Mórmon ou se acharmos que fala de outros registros ainda por vir, (como claramente indica 1 Nefi 14:26); teremos pelo menos a declaração inequívoca de que certos livros e registros, fora da Bíblia, deverão surgir e mudar o ponto de vista dos homens a respeito da própria Bíblia, por causa de cujas mutilações “grande número tropeça" (I Néfi 13:29).

Estas duas proposições, mais que qualquer outra coisa, desde o início, tem colocado o mundo cristão em violenta oposição ao evangelho restaurado. Antes mesmo de o Livro de Mórmon sair do prelo, no cabeçalho do Daily Advertiser, de Rochester, ecoou a primeira grande reação do mundo à missão do Profeta: “Blasfêmia! Livro de Mórmon, ou melhor, a Bíblia de Ouro.” [2] Nenhuma blasfêmia se poderia comparar com a declaração de que poderia haver outras escrituras além da Bíblia, senão a afirmativa do prefácio do Livro de Mórmon, de que a inspirada Palavra de Deus poderia conter “erros humanos.”

É difícil para nós hoje, imaginarmos o choque e horror que estas duas proposições causaram ao mundo cristão.[3] Desde os dias de Santo Agostinho, a pedra angular da fé cristã, sobre a qual tanto os católicos quanto os protestantes permaneciam firmes, vinha sendo que a Bíblia era não somente a revelação completa de Deus aos homens, como também que não podia conter erros de qualquer espécie — as escrituras eram infalíveis e inteiramente suficientes para a nossa instrução. E eis que um livro surge, não apenas dizendo-se escritura, como ainda anunciando que a Bíblia contém “erros humanos”!

Dizemos que agora é difícil imaginar como os cristãos reagiram a tais proposições, porque hoje em dia é difícil encontrar um só estudioso cristão no mundo que não reconheça que a nossa Bíblia, no seu estado presente deixa muito a desejar e que não busque o seu aperfeiçoamento através da descoberta de novos documentos.[4] O que trouxe esta mudança? Exatamente o que o Livro de Mórmon predisse— o aparecimento de mais livros e registros. A estes voltamos agora nossa atenção.

A nova visão do Velho Testamento

A mudança de atitude em relação ao Velho Testamento surgiu de maneira imprevista e surpreendente em nossos dias. Até a presente geração, o mundo cristão tinha a convicção de que a Bíblia estava na medida certa e que o futuro traria apenas uma repetição infinita de sermões e comentários conhecidos, temperados pela adição ocasional de algumas notas eruditas ao pé das páginas.

Se os fundamentalistas possuíam sua “ Bíblia perfeita e intocável,” os altos críticos, por seu lado, não andavam menos satisfeitos com o pensamento de que sua própria interpretação era igualmente definitiva. No mesmo ano de 1889, em que Westcott e Hort lançaram a primeira edição do que intitularam “O Novo Testamento no Original Grego,” proclamando que todos os maiores problemas textuais já estavam solucionados, Robertson Smith expressava sua crença de que “(...) nada que seja de importância vital para o estudo do Velho Testamento permanece incerto.”[5]

Como em tantos outros campos, a regra pura e simples da evolução, aquela grande economizadora de tempo e trabalho,explicava tudo: “Até há pouco tempo atrás, em virtude da falta de qualquer controle de seus pontos de vista, por intermédio de evidências externas, os estudiosos da Bíblia eram forçados a construir seus sistemas num vácuo histórico,” lembra o Professor Albright; e uma vez que lhes faltavam informações sólidas, “os mais capazes eram forçados a empregar esquemas filosóficos, como base de referência, para livrar suas teses da pura subjetividade.”

Foi então que surgiu a evolução, uma evolução “unilateral partindo do materialístico sensorial e desordenado, para o espiritual, ideal e ordenado” que “formou uma base rígida e inflexível com a qual todos os fatos e generalizações tinham de conformar-se.”[6]

A súbita aquisição de vastas quantidades de informações sólidas e concretas, onde apenas as especulações eram conhecidas, deixaram muitos eruditos em posição incomoda. “Embora os estudiosos da Bíblia vivam numa época de descobertas inéditas,” diz Cyrus Gordon, “permanecem à sombra do criticismo do século dezenove (...) embora a arqueologia o tenha tornado insustentável.” [7]

Não há desculpas para isto, uma vez que as grandes descobertas da atualidade foram anunciadas por retumbantes rumores preliminares. Em 1886, de acordo com Edward Meyer, “nem um só documento existia que atestasse a autenticidade histórica do Velho Testamento.” Um ano mais tarde, os Tabletes de Amama, uma biblioteca completa de correspondência entre os reis do Egito e os príncipes da Palestina e Síria, nos dias dos Patriarcas, foi descoberta.[8] Mas as grandes e revolucionárias descobertas vieram com duas outras bibliotecas, a de Ugarjf e a de Qumran.[9] (NT* de onde provém os famosos Pergaminhos do Mar Morto).

A primeira foi descoberta em Ras Shamra, em 1928, mas ainda continua “produzindo” documentos; foram encontradas, além disso, trinta caixas de tabletes, “um novo arquivo inteiro,” em 1960.[10] Trata-se de um arquivo templário, dos séculos 14 e 15 a.C. , conservado pelos canaanitas, os vizinhos mais próximos dos israelitas. Descobrimos nesses registros, pela primeira vez, quão próximos eram os antigos hebreus dos canaanitas, em cultura e religião, e podemos apreciar a força da admoestação de Leí a seus filhos, de que a única diferença primitivos habitantes da terra era de natureza moral:
"Pensais que nossos pais teriam sido mais favorecidos do que eles, se eles tivessem sido justos? Eu vos digo: Não." (1 Nefi 17:34)
Os fragmentos de Ras Shamra abriram um novo mundo aos estudos bíblicos, ao colocarem Israel em nova moldura mundial. “Compreende-se agora, que Israel não era mais isolado do ponto de vista da língua do que do ponto de vista da religião e cultura, e que o hebraico (...) tomou muita coisa emprestada de outras línguas.”[11] Donde “não se pode mais concluir que, se uma passagem hebraica for incompreensível, é por ser também adulterada.”[12]

Um exemplo de palavra bíblica enigmática tornada compreensível por esses registros, é a palavra khashnud, que significa bronze — palavra que este escritor por muito tempo pensou ser um anacronismo do Livro de Mórmon.[13]

As ideias e as palavras andam sempre juntas, é claro, e os textos rituais ugaríticos lançam torrentes de luz sobre primitivas práticas de culto judaicas, particularmente o Rito do Ano e os protocolos de Coroação, que hoje em dia são “o centro de interesse no estudo da relação entre as religiões do Oriente Próximo e o Velho Testamento.”[14] Esses rituais conferem com a longa descrição de uma coroação no Velho Mundo, a qual encontramos no Livro de Mosias.[15]

Mais que qualquer outra coisa, foram os textos de Ras Shamra que mostraram que o Velho Testamento precisa de ser estudado dentro de um contexto cada vez mais amplo, para ser entendido corretamente. “A Bíblia lança raízes em todas as culturas do Oriente Próximo e não pode ser entendida até que possamos enxergar suas relações com as próprias fontes, de acordo com a verdadeira perspectiva,” segundo Albright.[16]

“Há cem anos atrás,” escreve A.Parrot, “na Mesopotâmia, descobriu-se que a História está por trás do Velho Testamento (...) hoje é o próprio Velho Testamento que está sendo descoberto,” a saber, nos documentos de Ras Shamra, nos tabletes de Mari (grande coleção de placas descobertas no Alto Eufrates, por Parrot) e nos tabletes de Nuzi (vastos arquivos que “mencionavam, frequentemente, os Habiri” e o Dawidum, fazendo, mesmo, referência aos “ sinais de fogo” usados pelos benjaminitas, como é descrito no Velho Testamento.[17]

“Os inicios de Israel estão enraizados numa Canaã de alta cultura, onde hoje sabemos que os mesopotâmios, os egípcios e indo-europeus (nossos antepassados) uniram suas culturas e seu sangue,” como aprendemos pelo nosso próprio livro de Abraão. Por isso, “a noção de que a antiga religião e sociedade israelitas eram primitivas é totalmente falsa.”[18]

Se o Livro de Mórmon reflete a cultura de todo o Oriente Próximo de seus dias, também a Bíblia o faz.[19]

Cyrus Gordon traria até mesmo os gregos, para dentro do cenário hebraico (como fizemos com o relato de Leí), mostrando que “o povo da antiga Grécia e Israel têm uma herança semítica comum, baseada no fluxo da cultura fenícia (...) fomos levados a crer que os judeus deixaram-nos ética e religião e que os gregos nos legaram ciência e filosofia. Contudo, vemos agora uma tradição
similar correndo ao longo de ambas as culturas e não podemos mais ter certeza sobre qual cultura legou-nos o que.”[20]

Foram os textos ugaríticos que puseram freios nos críticos, usando a expressão de Speiser, demonstrando a futilidade de seu jogo favorito, ou seja, cortar os livros da Bíblia em várias seções, que afirmavam ser o trabalho de vários interpoladores e comentaristas.[21] Sempre que um erudito
pensava poder discernir em um livro da Bíblia, a menor peculiaridade de língua, mudança de humor ou atitude, anunciava orgulhosamente a descoberta de um novo autor ou corruptor do texto.

“Há questão de uma geração,” escreve H. H. Rowley, “podíamos falar de criticismo como algo contrário à ortodoxia tradicional (...) sabíamos exatamente onde um “documento” terminava e outro começava.”[22]

Em verdade: “a conclusão não edificante de todo esse estudo,” segundo Gordon, é que “nada é autêntico; entretanto, essa perda de realidade era compensada pela satisfação de estarem todos jogando o mesmo jogo e usando a mesma “ insígnia” de respeitabilidade acadêmica interdenominacional.”[23]

Contudo, hoje em dia, numerosos textos, postos sob exame acurado, mostram-nos que era prática
comum no Oriente, introduzir variedade de estilo e mesmo de dialetos numa única composição.[24] “Nenhum egiptólogo (ou qualquer orientalista em disciplinas paralelas) é tão tolo,” diz K. A. Kitchen, “a ponto de ver “fontes” por trás de tais textos (...) ou meter a tesoura nesses marcos de pedra, como os estudiosos da Bíblia que seccionavam-na, cada vez que um autor introduzisse uma
mudança de ritmo.”[25]

Assim, a tendência do criticismo mudou, e existe “uma ênfase crescente na unidade do Velho Testamento (...) uma percepção significativa de que, sob todas as variedades de formas e ideias, o Velho Testamento contém uma unidade profunda.”[26]

Importantíssimo nessa mudança de atitude, tem sido o novo ponto de vista a respeito dos profetas. Era moda, “há uma geração atrás, supor que o Velho Testamento apresentava um dualismo de conceitos íeligiosos irreconciliáveis: o profético e o sacerdotal,” enfatizando-se o “contraste
entre maus sacerdotes e bons profetas.”[27]

A fórmula evolucionista requeria que os profetas, espiritualmente adiantados, deveriam ter profunda antipatia pelas formalidades primitivas do templo. Mas agora sabemos que “não existe linha demarcatória clara” entre os vários aspectos da religião do Velho Testamento, e que o ponto de vista
evolucionista sôbre os profetas do Velho Testamento não pode ser aceito (...) devendo toda ênfase ser
dada à continuidade.”[28] Em conclusão, isso é o mesmo que dizer que, desde o início, Israel tinha somente um evangelho.

Uma importante ilustração, é o caso de Isaías, de particular interesse para os estudiosos do Livro de Mórmon; onde as suas profecias são consideradas como escritos de um único homem. Ao tempo em que os críticos trabalhavam com Isaías, “restavam poucas mensagens longas, de autoridade incontestada. (...) parecia que todo o livro seria melhor descrito como uma antologia de vários autores.”[29] Mas, com a descoberta de que os profetas e as sociedades proféticas estavam intimamente ligadas com o templo, torna-se evidente que os ensinamentos de Isaías foram preservados por uma dessas sociedades, “chamada para o trabalho especial de guardar e testemunhar as revelações de Jeová, dadas primeiramente a Isaías” ; isto é, que os escritos de Isaías são realmente um[30] por exemplo, em 1880, era raro encontrar um erudito que não acreditasse que Isaías copiara a passagem (Isaías 2:2-4) de Miquéias (Miquéias 4:1-3),” pois ambas eram iguais, quase palavra por palavra. Mas um estudo dos textos rituais mostra que a linguagem dessas passagens “ não é a “ linguagem da profecia,” mas ocorre frequentemente nos textos rituais arcaicos,”[31] dos quais os profetas livremente tomavam por empréstimo. Os Patriarcas surgem — “Um dos resultados extraordinários das pesquisas arqueológicas, durante o período decorrente entre as duas grandes guerras,” informa G. E. Wright, “foi a súbita descoberta da Era Patriarcal” como História real.[32] O mundo descrito nas páginas do Gênesis, existiu realmente e não era, como os críticos imaginavam, uma invenção de homens que escreveram muitos séculos depois do tempo que se supunha estarem descrevendo. O Velho Testamento dá uma descrição exata e vivida de como era o mundo no qual os patriarcas viveram.[33]

Edward Meyer e Ed Kõnig estavam certos quando insistiram em dizer que as narrativas do Velho Testamento, ao contrário dos anais da Babilônia e das histórias fictícias dos egípcios, eram história verdadeira.“(...) esse respeito pelos fatos e pela perspectiva histórica não encontra paralelo na literatura antiga do Oriente Próximo, até a época de Heródoto.”[34]

A teoria de que o livro de Gênesis não pretende ser história, mas “uma maneira poética de apresentar a verdade divina,” deve ser rejeitada.[35] Pois “ nenhum dos livros do Pentateuco ou qualquer das outras fontes históricas primitivas do Velho Testamento foram inventados (...) e não podem ser acusados de qualquer espécie de invencionice.”[36]

E até pouco tempo atrás, pensava-se que todos esses livros fossem inventados! “Está claro,” escreve Albright, “que a autenticidade substancial das tradições bíblicas foi provada até um ponto que poucos observadores ousariam imaginar possível há uma geração atrás.”[37] Comentando isso, Albright observa que o gênio peculiar das religiões judaica e cristã, ao contrário de todas as demais religiões, é o total entrelaçamento de seus ensinamentos, com um fundo histórico real; observa também, que essa base histórica perdeu-se em nossos dias, mas apresenta clara expressão no Livro de Mórmon, o que obriga os mórmons, quer queiram, quer não, a uma interpretação literal e histórica da salvação.[38]

Na atualidade tem-se despertado a atenção para a natureza especificamente épica das primitivas histórias patriarcais, “uma atitude caracteristicamente épica,” mostrando que a história pré-salomônica dos hebreus foi condicionada a um padrão épico específico.”[39] Há alguns anos, este
autor mostrou de maneira extensa, que a parte mais antiga do Livro de Mórmon, o livro de Éter, retrata o mais puro meio-ambiente épico em todos os seus detalhes. Seria mera coincidência Joseph Smith apresentar em forma épica seus relatos mais antigos? Ninguém tinha a menor ideia da existência de um meio-ambiente genuinamente épico, até que Chadwick o indicou em 1930.[40]

Quando, há cem anos atrás, encontraram na Biblioteca de Assurbanipal, em Ninive (a primeira das grandes bibliotecas encontradas), histórias babilônicas sobre o dilúvio, semelhantes às histórias hebraicas, concluiu-se instantaneamente que a versão do Velho Testamento havia sido
calcada sobre aquele “original” babilônico.

Mas como foram encontradas outras versões ainda mais antigas que mais se assemelhavam à do Gênesis, concluiu-se que a da Bíblia deveria ser a versão mais antiga.[41] E agora surge o épico Atrakasis, de grande antiguidade, mostrando que a história babilônica do dilúvio, por longo tempo aceita como a fonte original, “foi arrancada de seu contexto,” que aqui aparece pela primeira vez, dando “prova... que toda a estrutura da tradição hebraica em Gênesis I-X e não apenas o episódio do dilúvio, tem sua contraparte na legenda sumero-babilônica.[42]

Uma prova talvez mais concludente da possível prioridade de boa parte do material bíblico, sobre as
fontes das quais supõe-se ter-se originado, é a descoberta de Drioton, de que um famoso monumento de “ literatura egípcia de sabedoria” que também supõe-se tinha sido a fonte de inspiração da literatura hebraica de sabedoria, “é realmente uma tradução egípcia medíocre de um original hebraico-semítico (...) tratar-se-ia das “ Palavras dos Sábios,” de onde subsequentemente os provérbios também se alimentaram.”[43]

A ideia de que os babilônios e egípcios pudessem depender dos hebreus quanto às ideias encontradas na Bíblia, em vez do contrário, é deveras revolucionária. É interessante que os antigos achados hebraicos (ainda que abundantes) continuam a não ter a projeção que os materiais estrangeiros possuem.[44]

As cartas de Lachish, contendo relatos de testemunhas oculares do desesperado estado de coisas na terra de Jerusalém, nos dias de Leí,[45] provocaram muito menos comentários que os Papiros Elefantinos, que mostram uma comunidade judaica vivendo no Alto Nilo, para onde haviam fugido à procura de segurança, possivelmente na época da destruição de Jerusalém.[46]

Em 1954, alguns desses registros, os Papiros Aramaicos de Brooklin, foram descobertos num baú, onde haviam estado esquecidos durante 50 anos.[47] Talvez a descoberta mais surpreendente sobre esses judeus, instalados tão longe de sua pátria, foi o seu programa de construir um templo.[48]

A ideia de Nefi, de construir um templo no Novo Mundo, era suficiente para alguns críticos, como prova definitiva de que o Livro de Mórmon era fraude, pois judeu algum sonharia em ter um templo fora de Jerusalém. Assim, os Papiros Elefantinos marcam mais um ponto a favor do Livro de Mórmon.

O retrato de Abraão, como um homem muito civilizado, que “possivelmente morava numa requintada casa de tijolos, numa cidade,” era algo com que “ jamais sonharíamos,” se sir Leonard Woolley não o tivesse descoberto em 1930.[49] Desde então, toda a espécie de informação a respeito de Abraão tem vindo à tona.[50] Em 1950, foram publicados fragmentos de um livro de Abraão, encontrados entre os manuscritos do Mar Morto, que trazem interessantes esclarecimentos paralelos com o nosso livro de Abraão, conforme nos referiremos mais abaixo.[51]

No mesmo ano, foi publicada o Papiro de Brooklin, que traz parte de um registro autêntico, mantido numa importante prisão egípcia, nos dias de José. Inclui uma lista de 75 nomes de prisioneiros, dentre os quais 40 eram de origem semítica oriental, donde “a antiguidade genuína de alguns nomes patriarcais (...) é claramente confirmada.” [52] Isso nos traz à memória que em 1938 Nelson Glueck mostrou que o nome Leí é de origem semítico-oriental, familiar às margens do Mar Vermelho.[53]

Em 1958, a mesma autoridade conseguiu traçar parte da rota de Abraão através do “deserto de Zin, da Palestina ao Egito e vice-versa (...) Depois de descobrir esses lugares abraamicos,” relata ele, “os capítulos da Bíblia que descrevem a viagem de Abraão e seu povo (...)tornaram-se claros para nós.”[54]
"(...) para que apareçam em sua pureza" — Indiscutivelmente a influência mais poderosa em forçar a uma nova leitura do Velho Testamento procede dos manuscritos do Mar Morto. E a coisa surpreendente que eles mostram é que o texto da Bíblia não foi tão adulterado — pois deixam ver que ele foi, no conjunto, preservado com espantosa fidelidade — quanto foi mutilado pela supressão de material do original. Como afirma o Professor Albright: “Nosso texto hebraico sofreu mais perdas que distorções.” E continua ilustrando o ponto com vários livros, para mostrar que “traduções futuras terão que expandir substancialmente o texto incluindo (...) algumas (passagens) de grande importância pelo seu conteúdo.”[55]
Isso traz-nos de volta à nossa proposição original: “tiraram (...) muitas partes (...) claras e sumamente preciosas” e que elas deverão ser restauradas pelo aparecimento de “outros livros” e registros. Não existe melhor ilustração para essa proposição, na atualidade, do que os manuscritos do Mar Morto.

A uma distância inferior a quinze milhas de Jerusalém, encontra-se um lugar que foi examinado com cuidado por antiquários cristãos, desde os dias de Orígenes e Jerônimo. Centenas de cavernas contendo milhares de fragmentos escritos escaparam à descoberta através dos séculos, até que o deserto repentinamente voltou à vida no início da década de 1950. “Descobertas pisavam nos calcanhares de descobertas,” diz o Professor Cross. “A riqueza arqueológica dessa terra parece ilimitada.”[56] Por volta de 1960, mais de 230 cavernas haviam sido exploradas, encontrando-se em
muitas delas diversos escritos de grande valor.[57]

Os documentos que nos interessam consistem em mais de 400 manuscritos, cobrindo um período de 300 anos — desde o fim do III século a. C., até 68 A.D. Contêm “os maiores manuscritos bíblicos, de grande antiguidade,”[58] cartas de próprio punho do grande líder Simão Bar Kochba,[59] o “primeiro documento hebraico conhecido do primitivo período rabínico,”[60] e acima de tudo os registros e ensinamentos de uma “ Igreja Cristã no Deserto,” anterior a Cristo.[61]

Há mais de uma década este autor, seguindo uma pista oferecida por um trabalho apócrifo, denominado a Ascensão de Moisés, sugeriu que os documentos das cavernas de Qumran não tinham sido enterrados rapidamente por seus donos, para fugir à destruição por um exército romano, mas que foram deliberadamente enterrados e selados para aparecerem em uma “dispensação” posterior.[62]

Desde então, a descoberta de um fragmento da mesma Ascensão de Moisés, em uma das cavernas, colocou os eruditos na pista de uma investigação, que os levou à conclusão de que os pergaminhos foram realmente enterrados num “funeral solene,”com a esperança de serem encontrados, numa época melhor.[63]

Com relação a esse episódio, uma descoberta em particular deve ser mencionada: o famoso Rôlo de Cobre da caverna IV. É um documento de primordial importância "(...) é difícil achar-se um só aspecto da arqueologia, da história e da religião do Oriente Próximo, que ele não ajude a esclarecer.”[64] Consistia originalmente de placas de cobre, posterior mente ligadas umas às outras, para que pudessem ser enroladas, imitando um pergaminho.[65] Por que o cobre? Porque esse registro era o mais valioso de todos, sendo nada menos que um catálogo de todos os tesouros da sociedade que se achavam enterrados. Se ele desaparecesse, muitas, senão todas aquelas possessões dedicadas ao Senhor, seriam irremediavelmente perdidas. Por isso, tinha que ser escrito em material imperecível e cuidadosamente escondido.[66]

Vejamos alguns itens do Rolo de Cobre:
Item 4: “(...) recipientes de dízimos, consistindo de vasos e ânforas, tôdas para dízimos, bem como “Produtos do 7.° ano,”(...) no fundo do conduto de água, seis cúbitos, a contar do norte, na direção do tanque de imersão rachado.”
Item 26: “(...) enterrado a três côvados há um cântaro, com um pergaminho e sob ele, 42 talentos.”
Item 34: “(...) na tubulação de drenagem que fica na passagem leste para a Sala do Tesouro, ao lado da entrada, jarros de dízimo e pergaminhos ao lado.”[67]
Todos esses eram tesouros sagrados, e só poderiam ser usados para fins religiosos.[68] Note-se que junto do dinheiro havia escritos sagrados. Um deles achava-se dentro de um vaso de cerâmica, do modo normal como os manuscritos do Mar Morto tinham sido achados, enquanto outros jaziam embalados ao lado dos jarros.

O “ tanque de imersão” refere-se a um “banho ritual,” de acordo com a nota de Allegro, e os produtos do 7.° ano lembram um costume relatado incidentalmente no Livro de Mórmon, de o povo trazer um suprimento de sete anos, para uma grande reunião.[69]

O batismo pré-cristão, bem como o produto dos sete anos soam familiares aos estudiosos do Livro de Mórmon. Mas de particular interesse, é a natureza e uso das placas de cobre. Tanto por preceito como pelo exemplo, proclamam, pela primeira vez, que existia um velho costume judaico de esconder os registros sagrados, incluindo registros feitos em placas de metal, escolhidas por sua durabilidade.

Escrever em tais placas era difícil e desagradável. “O escriba, não sem razão, parece haver-se cansado ao chegar ao fim, pois as últimas gravações são mal formadas e um tanto pequenas. Podemos quase ouvir o seu suspiro de alívio, ao colocar as duas últimas palavras no meio da linha final.” [70]

Quão claramente isso nos lembra os protestos e explicações dos nossos escritores do Livro de Mórmon: “(...) e não posso escrever senão poucas de minhas palavras, devido à dificuldade de gravá-las em placas.” (Jacó 4:1) “(...) eu também escreveria, se houvesse lugar nas placas, mas não há” (Mórmon 8:5).

Era necessário resumir, ao escrever nas placas, como explica Morôni (Mórmon 9:32) e Allegro também afirma que a escrita usada em placas de cobre é de um novo tipo, que torna a leitura difícil, pois é caracterizada por letras grafadas de modo diferente, sem espaços entre as palavras, “mudando de uma linha para outra, no meio da palavra,” e uma supressão generalizada das vogais.[71]

“A maior deficiência está em nós mesmos,” conclui Allegro, “ falta-nos conhecimento suficiente do vocabulário técnico hebraico, para decifrarmos um texto dessa natureza. Isso deveria moderar aqueles que ingenuamente creem que, se encontrássemos algumas placas nefitas, deixaríamos a tradução por sua conta: para isso, seria necessário o Urim e Tumim.

Uma vez que as últimas décadas foram testemunhas de descoberta de numerosos exemplos de escrituras em metais, das quais o principal são as placas de Dario — história sagrada colocada em uma arca especial de pedra, por uma pessoa quase contemporânea à Leí [72] — é fácil esquecer que nada suscitou maiores protestos e zombarias quando do aparecimento do Livro de Mórmon, que a fantástica ideia de escrever-se história sagrada em placas de ouro e enterrá-las no chão. O Rolo de Cobre e sua mensagem, comparados cuidadosamente com o que o Livro de Mórmon tem a dizer a respeito de registro em placas de bronze e ouro, deveriam trazer um pouco de sossego aos críticos mais céticos do Livro de Mórmon.



CONTINUA...

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NOTAS

1. Em Néfi 13, os versículos 3, 4, 10,12, 14, 15, 16, 17, 19, 23, 29, 30, 31,32, 33, 38 e 42 mostram que não se deve confundir os gentios com a Igreja. Nos versículos 25 e 26, os gentios recebem, mas perdem os registros sagrados. Nos versículos 35 e 36, mais registros “apareceram aos gentios” e no
versículo 39, levam ainda ‘‘outros livros” a todo o mundo, convencendo-se a si mesmos, aos índios e aos judeus de que os primeiros registros são verdadeiros. Parece complicado demais para ser
uma referência apenas ao Livro de Mórmon. Veja especialmente 1 Néfi 14:23-28.

2. Veja Francis W. Kirkham, New Witness for Christ in America,” pg. 267/268

3. Para melhor compreensão, veja H. Nibley na “Improvement Era n 62, 1959, pg. 147.

4. Veja Improvement Era de nov. de 1964, notas 94 a 99.

5. J. N. Schofield, Expository Times,n.71 (1960) pg. 195.

6. W. F. Albright, Cross Currents, n 9 (1959) pg. 114.

7. C. Gordon, Christianity Today, n 4 (23 de nov. de 1959) página 131.

8. Ed. Meyer, Sitzber der Berliner Akad, d. Wissenschaft, 1908, pág. 153.

9. T. Robinson, Zeitschrift für die alt testamentliche Wissenschaft, 73
(1961) pg. 265.

10. W. F. Albright, Journal of Bible and Religion, 31 (1963) pg. 110.

11. C. S. Rodd, Expository Times, 71 (1960) pg. 131.

12. H. H. Rowley, Expository Times,71 (1959) pg. 97.

13. T. Robinson, op. cit. pág. 267.

14. J. Schofield, op. cit. pág. 196.

15. Compare o último sumário de S. Hooke, Ed., Myth, Ritual and Kingship (Oxford, 1958) com nossa discussão, em An Approach to the Book of Mormon (Deseret Book Co., 1964) Ch. 23, pgs.
257/268).

16. W. F. Albright, Journal of the American Oriental Society, 64 (1944) pg. 148.

17. A. Parrot, Revue de VHistoire et de Philosophie Religieuses, 1950, pg. 1-9. Cf. W. F. Albright, The Biblical Period from Abraham to Ezra (New York, Harper & Row, 1963) pg. 2-9.

18. C. Gordon, op. cit. pgs. 133/134.

19. Para o Livro de Mórmon, H. Nibley, An Approach to the Book of  Mormon, capítulos 3-7.

20. C. Gordon, Before the Bible, pg. 32.

21. E. A. Speiser, Contemporary Review IV, pgs. 214/215.

22. H. H. Rowley, pg. 97.

23. C. Gordon, pgs. 131/134.

24. “Ninguém discute que o Código de Hamurabi seja uma composição inteiriça, apesar do fato de o prólogo e epílogo serem apenas escritos em forma poética (contrário à prosa deis leis), mas também num dialeto diferente, porque a poesia exige, não somente um estilo, mas ainda forma gramatical diferente.” C. Gordon, Ugaritic Literature (Rome: Pontificai Biblical Institute, 1949) pgs. 6 e 7, discutindo também outros casos. Veja também Christianity Today, pg. 132.

25. K. A. Kitchen, em Faith and Thought, pág. 190. Verifica-se que a variedade de estilo ocorre dentro de documentos egípcios e babilônicos. Idem, pág. 188. Cf. S. Mowinckel, Prophecy and Tradition, n? 3 (Oslo, Norse Academy of Science, 1946) páginas 7 e 8.

26. H. H. Hffwbley, em S. Hooke, op. cit., pág. 260. Há uma geração atrás, tal coisa estava fora de cogitação. H. Torczyner, em Zeitschrift der Deutschen Morgenlãndischen Gesellschaft, 85
(1931) pgs. 287/324.

27. H. H. Rowley, em Expository Times, pg. 98.

28. A. Haldar, Association of Cult Prophets among the Ancient Semites, (Uppsala, 1945), pg. 199. “Atualmente há uma certeza estabelecida de que os profetas de Israel eram oficiais do culto.” J. Schofield, op. cit., pg. 197.

29. J. Eaton, Vetus Testamentum, 9 (1959) pg. 138.

30. Idem, pg. 149. Cf. H. Wildberger, em Vetus Testamentum, 8 (1958)pg. 81.

31. H. Wildberger, em Vetus Testamentum, 7 (1957) pág. 65.

32. G. E. Wright, Expository Times, 71 (1960) pág. 292.

33. W. F. Albright, Biblical Period from Abraham to Ezra, pág. 5. " . . . os patriarcas surgem com uma vividez desconhecida a qualquer caráter extrabíblico, com tôda a vasta literatura do Antigo Oriente Próximo.” Para discussões sobre a descoberta da Era Patriarcal, procurem J. Reider, em The Jewish Quarterly Review, (1937) pág. 349; J. C. L. Gibson em Journal of Semitic Studies, 7 (1962) pág. 44. R. de Vaux, e Revue Biblique, 53 (1946) págs. 321/348; G. E. Wright, em Expository Times, 71 (1960) pgs. 292/296 e idem 72 (1961) pgs. 213/216. A Parrot, op. cit. pg. 1/10.

34. J. Gray, em Vetus Testamentum, suppl. Vol. V (1957) pg. 218. Cf. Ed. Meyer, Die Israeliten und ihre Nachbarstãmme (Halle, 1906) pg. 484 e Geschichte des Altertumus, I, i; 131 e Ed. Kõnig, em Historische Zeitschrift, 132 (1925) pg. 290.

35. T. C. Mitchell, em Faith and Thought, 91 (1959) pg. 48.

36. E. A. Speiser, op. cit. pg. 214.

37. W. E. Albright, em Cross Currents, 9 (1959) pg. 117. Cf. G. von Rad, em Expository Times, 72 (1961) pg. 216; H. H. Howley idem 71 (1960) pg. 97.

38. Albright, op. cit. pg. 111.

39. C. Gordon, em Journal of Near Eastern Studies, 11 (1952) pg. 213; idem 13 (1954) pg. 56.

40. Veja discussão na Improvement Era, 59 (janeiro de 1956) pg. 30.

41. Discutido por H. Nibley, emA Book of Mormon Treasury (SaltLak City Bookcraft, 1959) pg. 135.

42. W. Lambert, em Journal of Semitic Studies, 5 (1960) pág. 116.

43. E. Drioton, Faith and Thought, 91 (1959) pg. 191/193.

44. Para um sumário das importantes descobertas hebraicas, veja S. Moscati, L’Epigrafia Ebraica Antica, em Bíblica et Orientalia, n1' 15 (1951) de Gezer, que discute o Calendário e a Ostraca Samaritana, a Inscrição de Siloé, o Ostracon de Ofel, os selos, as bulas, os cabos de jarros, os Marfins
Samaritanos e novas inscrições.

45. H. Nibley, Lehi in the Desert,etc. (Salt Lake City Bookcraft, 1952),
pg. 8, fl. 109.

46. M. L. Margolis, em Jewish Quarterly Review, 2 (1911-12) pg. 419.

47. C. Torrey, em Journal of Near Eastern Studies, 13 (1954) pgs. 149/
153.

48. Margolis, op. cit. pgs. 430/435.

49. T. L. Woolley, Digging Up the Past (Middlesex: Harmondsworth, 1950)
pgs. 64/66.

50. “Os contratos de Kirkuk e Nuzu confrontam-nos com paralelos bíblicos, que se agrupam ao redor dos patriarcas... Abraão era de origem mesopotâmica, seu filho e seu neto casaram-se com moças de sua parentela em Mitanni. Ao mesmo tempo, havia sangue egípcio na família patriarcal. .. os hebreus
patriarcais aproveitaram o lugar e a época ideais para fazerem-se herdeiros da rica e variada herança do Oriente Próximo inteiro. . . ” C. Gordon, em Journal of Near Eastern Sudies, 13 (1964) pgs. 56/59 e idem 11 (1952) pg. 212.

51. Y. Yadin, A Genesis Aprocryplion (Jerusalém, Universidade Hebraica, 1956) pg. 8.

52. K. A. Kitchen, em Faith and Thought, 91 (1959) pgs. 180/184.

53. Veja a Improvement Era de março de 1956, pg. 152.

54. N. Glueck, em Proceedings of the American Philosophical Society, 100 (1956) pgs. 150/155.

55. W. F. Albright e D. N. Freedman, em Journal of Bible and Religion, 31 (1963) pg. 111.

56. F. M. Cross, em The Biblical Archeologist, fevereiro de 1954, página 17.

57. G. Kuhn, em Theologische Literaturzeitung,  85 (1960) pg. 651. Para a última lista dos novos textos, R. Meyer, idem (1963) pg. 19.

58. F. M. Cross, op. cit. pg. 2.

59. Idem, pg. 11.

60. R. Brownlee, em The Biblical Archeologist, setembro de 1951, pg. 54.

61. Falamos sobre este tema, mais longamente, em An Approach of the Book of Mormon, pgs. 133/162 (capítulos 13-15).

62. The Improvement Era, 157, fevereiro de 1954, pág. 89.

63. M. Black, The Scrolls and Christian Origins (N. York, Scribner, 1961) pág. 12.

64. J. M. Allegro, The Treasure of the Copper Scroll, (N. York: Doubleday, 1960) pág. 25.

65. Idem, pág. 27; A. Dupont-Sommer, em Revue de VHistoire des Religions, 151 (1957), pg. 25.

66. Allegro, op. cit. pág. 62.

67. Traduzido por Allegro, com reprodução do texto, nas pgs. 33, 43 e 47.

68. “Usar tais coisas para um propósito não religioso, era um pecado hediondo.” Idem, pg. 61.

69. Néfi 4:4. Note-se que eles apenas precisavam de sustento para um ano e meio; os suprimentos de sete anos eram aparentemente familiares e tradicionais.

70. Allegro op. cit. pág. 27.

71. Idem, págs. 28/30.

72. Existe uma reprodução disto, junto com uma discussão sobre os “Antigos Registros em Placas de Metal,”Franklin S. Harris Junior, The Book of Mormon Message and Evidences (Salt Lake City Desert News Press, 1953) pgs. 95/105.

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