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Por que não ocorrem mais tantos milagres como na época de Cristo?


Uma amiga me fez essa pergunta: por que não ocorrem mais tantos milagres como na época de Cristo e de seus apóstolos? Respondi, quase que instantaneamente: "Como assim? É claro que ocorrem milagres hoje. Sou testemunha disso! Na verdade, eu penso que ocorrem mais milagres hoje no que na época de Cristo."
Explicarei essa minha resposta, bem como procurarei compreender o motivo de algumas pessoas pensarem que não haja mais milagres, ou que, eles tenham diminuído drasticamente.

Milagres - grandes e pequenos

A definição mais comum de milagre é: "um ato divino inexplicável para a razão humana". Mas essa definição nem sempre se encaixa. Atos divinos que causam admiração, e às vezes assombro, são abundantes nas escrituras, e talvez nem sempre os consideramos milagrosos. Porém, essencialmente o são. Como explicou Morôni: "Quem dirá que não foi um milagre que pela [palavra de Deus] o céu e a Terra existam? E que pelo poder de sua palavra o homem tenha sido criado do pó da Terra? E que pelo poder de sua palavra milagres tenham sido realizados?" (Mórmon 9:17).
Muitas pessoas não consideram um milagre a Criação da Terra, a vida do homem e outros fatos descritos nas escrituras. Entretanto, para mim, tudo é um milagre. Pois quando reflito sobre a pequenez e nulidade do homem (Mosias 4:5, 11) - e glória, majestade e bondade de Deus - todos os atos divinos causam espanto, gratidão e alegria (Moisés 1:8-11). E ai esta a minha definição de milagre: um ato divino que gera admiração e regojizo - fortalecendo a fé e o amor à Deus.
Os milagres geralmente são resultados da fé (Éter 12:12), de fato eles são a "prova" da eficácia da fé (Éter 12:7). Um descrente até pode constatar um milagre, mas lhe soará trivial, como obra das trevas ou como um sinal de um Deus real (mas neste último caso, tal milagre ser-lhe-á para maldição, em vez de bênção).
Os milagres são diversos. O homem considera algumas das obras de Deus mais miraculosas que outras. Mas em uma analise mais detalhada (e espiritual) todo milagre tem o mesmo impacto no Plano Eterno, sendo divino - é também maravilhoso. O milagre do nascimento de uma criança, o milagre do avanço da tecnologia, o milagre do poder do intelecto humano, o milagre da pregação do evangelho - e especialmente da conversão à Deus - todos são sagrados e dignos de assombro e regozijo.
O que quero dizer é que não existe milagre grande e milagre pequeno. É verdade, não obstante, que as "ternas misericórdias de Deus", às vezes não são identificadas como milagres. Ansiamos por presenciar maravilhas como as descritas nas escrituras: Josué fazendo o sol se deter nos céus, fogo descendo dos céus, um anjo aparecendo para convencer os rebeldes ou criancinhas de colo revelando mistérios da divindade.
Quando minha amiga me questionou sobre milagres, compreendi que ela estava querendo se referir aos milagres mais "incomuns" ou "raros" - tais como fazer um paralitico andar, expulsar demônios ou levantar uma pessoa da tumba. Ela possivelmente concordava com os "milagres mais frequentes", mas estava se referindo aos mais "raros" e "grandiosos" do ponto de vista dos que tem pouca ou nenhuma fé. Então, basearei meus próximos comentários nestes tipos de milagres.

A quantidade de Milagres na Antiguidade e a quantidade Hoje

Se contarmos todos os milagres do Velho e Novo Testamento, bem como no Livro de Mórmon - verificaremos uma imensidão de dons e eventos extraordinários. Todavia, muitas vezes nos esquecemos que entre uma página e outra das escrituras centenas de anos podem se passar. Ademais, os escritores da Bíblia e Livro de Mórmon desejavam transmitir aquilo que consideravam de maior valor - e os principais e decisivos eventos da história de seu povo. Assim, quando vemos muitos milagres incríveis suscetivos nas escrituras, precisamos ter ciência que há possivelmente um grande intervalo temporal entre um grande milagre e outro - e mesmo que não haja, as circunstancias são atípicas, como no caso do Ministério do Salvador.
Sim, durante o Ministério mortal de Jesus Cristo houve uma grande efusão de milagres. Naqueles curtos 3 anos foram realizados centenas de milagres - por várias razões - uma delas: a de testificar que Ele era o Messias.
Mas há alguns ensinamentos importantes do Mestre e de seus profetas que gostaria de recordar. Eles explicam a extensão dos milagres, o motivo pelo qual acontecem ou não, como são operados e indicam a razão pela qual suponho que em nosso dias há muitos milagres!
Primeiro, João 14:12:
"Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas (...)"
Ou seja, por meio da Fé em Cristo, os discipulos do Mestre poderiam realizar até maiores milagres. Acredito que esta escritura não tenha eficácia restrita à Igreja Primitiva, mas seja plenamente aplicável em nossos dias.
Segundo, Morôni 7:35-38:
"(...) cessaram os dias de milagres?
Ou deixaram os anjos de aparecer aos filhos dos homens? Ou negou-lhes ele o poder do Espírito Santo? Ou fará ele isso enquanto durar o tempo ou existir a Terra ou existir na face da Terra um homem para ser salvo?
Eis que vos digo: Não; porque é pela fé que os milagres são realizados; e é pela fé que os anjos aparecem e ministram entre os homens; portanto, ai dos filhos dos homens se estas coisas tiverem cessado, porque é por causa da descrença; e tudo é vão.
Porque, de acordo com as palavras de Cristo, nenhum homem pode ser salvo, a não ser que tenha fé em seu nome; portanto, se estas coisas houverem cessado, então a fé também cessou; e terrível é o estado do homem, pois é como se não tivesse havido redenção."
Essa é uma lição fundamental. Os milagres não cessam - exceto se cessar a fé. E enquanto houver fé, haverá milagres.
Terceiro, Éter 12:16, 18, 30:
"Sim, e todos aqueles que operaram milagres, fizeram-no pela fé, tanto os que viveram antes de Cristo como os que viveram depois dele. (...)
Ninguém, em tempo algum, fez milagres antes de exercer fé; portanto, primeiro creram no Filho de Deus. (...)
Pois o irmão de Jarede disse à montanha Zerim: Move-te! e ela foi movida. E se ele não tivesse tido fé, ela não se teria movido; portanto, tu [ó Deus] ages depois que os homens têm fé."
Sem fé não se "operam milagres". Portanto, os discipulos de Cristo precisam ter fé.
Quarto, 3 Néfi 8:1:
"(...) e nenhum homem havia que pudesse fazer um milagre em nome de Jesus, se não estivesse completamente limpo de suas iniquidades"
Iniquidade é a prática reiterada de pecados - é quando não há arrependimento. Uma pessoa injusta não pode realizar milagres, ou se beneficiar deles.
Quinto, 3 Néfi 1:4-7 e 3 Néfi 19:35-36:
 "E aconteceu que no começo do nonagésimo segundo ano, eis que as profecias dos profetas começaram a cumprir-se mais plenamente, pois maiores sinais e maiores milagres começaram a ser realizados entre o povo.
Alguns, porém, começaram a alegar que o prazo estabelecido para o cumprimento das palavras proferidas (...) já se havia esgotado.
E começaram a ridicularizar seus irmãos, dizendo: Eis que a hora já é passada e as palavras [do profeta] não se cumpriram; portanto, vossa alegria e vossa fé concernentes a isso foram inúteis.
E aconteceu que causaram um grande tumulto em toda a terra; e as pessoas que haviam acreditado começaram a afligir-se muito, temendo que, por algum motivo, não se cumprissem as coisas que haviam sido anunciadas."
"E aconteceu que quando acabou de orar, Jesus voltou novamente para os discípulos e disse-lhes: Tão grande fé eu nunca vi entre todos os judeus; por isso não lhes pude mostrar tão grandes milagres, por causa de sua incredulidade.
Em verdade vos digo que nenhum deles viu coisas tão grandiosas como as que vistes nem ouviu coisas tão grandiosas como as que ouvistes."
Mesmo diante de grandes milagres algumas pessoas escolhem não acreditar. Até mesmo Cristo não pode mostrar maiores milagres devido a incredulidade que encontrou entre os judeus.
Para finalizar, D&C 124:41, D&C 27:13, Efésios 1:10 e Atos 3:21:
"Pois digno-me revelar à minha igreja coisas que têm sido mantidas ocultas desde antes da fundação do mundo, coisas pertinentes à dispensação da plenitude dos tempos."
"A quem confiei as chaves de meu reino e uma dispensação do evangelho para os últimos tempos; e para a plenitude dos tempos, quando reunirei em uma todas as coisas, tanto as que estão no céu como as que estão na Terra"
"Para, na dispensação da plenitude dos tempos, tornar a congregar em Cristo todas as coisas tanto as que estão nos céus como as que estão na terra"
"[Cristo será contido nos céus] até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio do mundo"
Essas passagens (eu poderia ter reunido outras) provam que a derradeira dispensação é a mais gloriosa, por terminará com o retorno triunfante do Salvador - e é nela que serão congregadas "todas as coisas tanto as que estão nos céus como as que estão na terra". Revelações, dons, chaves, poderes estão exclusivamente determinadas para nossa época.
Assim sendo, embora vivemos em um estágio da História Humana de grande iniquidade, há também grande poder derramado sobre os santos (1 Néfi 14:14).

A Razão de Não vermos tantos Milagres

Embora eu pessoalmente acredite que podemos ver milagres constantemente - e que as manifestações de Deus são mais frequentes no mundo hoje, do que no passado - não temos acesso a todos os registros e notícias. Ademais, não há interesse do mundo em compartilhar o que é sagrado. E mesmo que tivesse, não é sábio aos santos "jogar pérolas aos porcos" (Mateus 7:10). Muitos dos grandiosos milagres que ocorrem hoje só serão relevados no dia que o Senhor voltar (D&C 101:32).
O Elder Boyd K. Packer resumiu importantes lições ao dizer:
"Aprendi que experiências espirituais fortes e impressivas [em nossa vida pessoal] não são frequentes. E quando acontecem, é para nossa própria edificação, instrução ou repreensão. A menos que tenhamos sido chamados pela devida autoridade nesse sentido, não nos colocam em posição de aconselhar ou corrigir os outros.
Convenci-me também de que não é sábio falar continuamente de experiências espirituais inusitadas. Elas devem ser cuidadosamente resguardadas, e compartilhadas só quando o próprio Espírito nos induz a falar delas em benefício dos outros. Lembro-me constantemente das palavras de Alma: “É dado a muitos conhecer os mistérios de Deus; é-lhes, porém, absolutamente proibido divulgá-los, a não ser a parte de sua palavra que ele concede aos filhos dos homens, de acordo com a obediência e atenção que lhe dispensam”. (Alma 12:9)
Ouvi certa vez o Presidente Marion G. Romney recomendar a presidentes de missão e suas esposas: “Não conto tudo o que sei; nunca contei tudo o que sei nem a minha mulher, pois descobri que, se falasse levianamente das coisas sagradas, o Senhor não mais confiaria a mim”.
Devemos, acredito, guardar essas coisas e ponderá-las no coração, como, segundo Lucas, Maria fez com os acontecimentos divinos em torno do nascimento de Jesus. (Ver Lucas 2:19.)" ("A Lâmpada do Senhor", A Liahona, out/1983, pg.27/37)
Assim, não serão todos os domingos que ouviremos nos púlpitos e aulas da Igreja experiências tais como a cura de um cego ou a restauração da vida de um morto. Não obstante, ao estudar a História da Igreja e os discursos das Autoridades Gerais podemos ver que, quando visto numa esfera coletiva, há centenas de milagres grandiosos.
Pessoalmente sou testemunhas de dezenas de milagres, e testifico da realidade deles. Sei por experiências sagradas e pessoais que Deus é ainda um Deus de milagres, e quando há fé podemos ver a manifestação de seu incrível braço de poder. Sei que os cegos voltam a ver, os cochos a andar, os elementos passam a agir conforme ordenado pelo digno portado do sacerdócio, mesmo que o seja de maneira diversa ao habitual, e sei que os demônios são expulsos. Milagres são reais. E mais: acontecem como no passado - e mais até.

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