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Introdução ao Curso de Apocalipse

Bem-vindo ao Curso de Apocalipse!

                O Élder Bruce R. McConkie comentou que "para as pessoas que têm compreensão do evangelho, Apocalipse é uma fonte de sabedoria divina que expande a mente e ilumina a alma" ("A Bíblia, um livro selado", Ensino no Seminário - Textos preparatórios, pg. 133 ou Suplemento, Simpósio sobre o Novo Testamento, 1984, pg. 4).

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                O profeta Joseph Smith disse que o livro de Apocalipse era um dos livros mais claros[1]. Essa, todavia, não é a opinião da maioria dos leitores da Bíblia, que acham a linguagem simbólica de João demasiadamente complexa, quase impossível de se interpretar. O profeta Joseph não foi de maneira alguma pretensioso ao fazer essa declaração - apenas demonstrou uma preciosa verdade: para alguém que possui o Espírito de Revelação não é difícil compreender os escritos de João - um homem que registrou suas visões através deste mesmo Espírito.
                Este blog divulga o conteúdo do livro "Considerações sobre o Apocalipse de João", que não pode ser obtido mais (esta indisponível por tempo indeterminado). Semanalmente partes do livro serão postadas aqui, junto com os vídeos no youtube: toda terça e quinta, às 20h.
                O Curso "Considerações sobre o Apocalipse" procura ser uma fonte de auxílio para os que se lançam veementemente ao estudo das escrituras, especialmente ao livro de Apocalipse. Ele foi desenvolvido junto a muita oração. Seu conteúdo só poderá ser inteiramente absorvido pelos que possuem o espírito de revelação e conhecem os princípios do evangelho de Jesus Cristo. Ele não substitui o estudo pessoal das escrituras. Seria um erro trágico se isso acontecesse.  Entretanto, é nossa esperança que ele possa ser utilizado como um recurso adequado.
               O livro e curso "Considerações sobre o Apocalipse" não representa de nenhuma forma a opinião da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
                É um curso que fala das doutrinas do evangelho restaurado de Jesus Cristo e dos princípios eternos da verdade. E é exatamente por isso que não creio que este livro esteja completo. Os princípios são verdades simples que podem ser utilizados em diversas situações. Portanto é impossível que todas as possibilidades de aplicação dos princípios constantes nas palavras de João sejam previstas e transcritas nestas páginas. O que tentei fazer foi enxergar em um ou mais versículos uma consideração interpretativa e também algumas possibilidades de aplicação dos princípios eternos para nossa vida nestes dias. Mas certamente, insisto, mais comentários sobre um ou outro versículo poderiam ser feitos com a mesma propriedade das anotações aqui encontradas.
                Para facilitar a absorção dos princípios e também para ajudar no estudo pessoal de cada leitor do livro de Apocalipse coloquei  perguntas no final deste livro (que serão objeto de postagens futuras também) - isso para que os leitores fossem convidados a agir e sentir em sua vida pessoal o poder das escrituras. E também para comprovar que o livro de Apocalipse não é um livro destinado exclusivamente a teólogos - mas foi escrito para a humanidade se achegasse a Cristo.

                As fontes desse estudo. Devo dizer ainda que neste estudo recorri principalmente às obras-padrão, palavras dos profetas modernos e manuais de religião do Sistema Educacional da Igreja. As obras-padrão são quatro livros sagrados: A Bíblia Sagrada, O Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e A Pérola de Grande Valor.

                Bíblia Sagrada. É o volume principal do cânon de escrituras que dispomos. Ela é dividida em "Velho Testamento" e "Novo Testamento". Possui sessenta e sete divisões chamadas geralmente de livros e epístolas. O Velho Testamento é dividido em Pentateuco (ou Livros de Moisés, por exemplo, Êxodo), Livros Históricos (por exemplo, I Reis), Livros Poéticos (por exemplo, Salmos) e Livros Proféticos (por exemplo, Ageu). O Novo Testamento é dividido em Evangelho (por exemplo, Mateus), Atos dos ApóstolosEpístolas (por exemplo, Colossenses) e Apocalipse.
                Infelizmente a Bíblia teve que sobreviver a uma época de grande Apostasia espiritual, e por isso muitas de suas partes preciosas se perderam, e outras foram alteradas. Usamos principalmente a Tradução de João Ferreira de Almeida (em português), mas também recorremos ocasionalmente a Tradução de Joseph Smith[2].
                O objeto principal desse estudo esta alicerçado, portanto, na Bíblia, no Novo Testamento, no livro de Apocalipse. Todavia o uso de toda e qualquer escritura é bem-vindo, visto que a verdade nunca se contradiz e é unida em um grande todo. Sigo a máxima: quanto mais palavra de Deus melhor!

                O Livro de Mórmon. O Livro de Mórmon é "outro testamento de Jesus Cristo". Ele foi escrito pelos antigos habitantes das Américas. É o livro mais claro e correto que existe na face da Terra, porque foi traduzido pelo dom e poder de Deus para língua moderna. Ele é uma segunda testemunha para as verdades bíblicas e para divindade do Senhor Jesus Cristo. O propósito principal do livro é convidar as pessoas a virem à Cristo (ver Introdução do Livro de Mórmon).

                Doutrina e Convênios. É um conjunto de revelações recebidas por Joseph Smith e seus sucessores que foram presidente da Igreja. Algumas das seções intimamente relacionadas com partes da Bíblia que o Profeta desejava aprender mais.

                Pérola de Grande Valor. Contém o Livro de Abraão, traduzido de antigos papiros egípcios; o livro de Moisés, que parece ser uma introdução ao Pentateuco que havia se perdido; a Tradução de Joseph Smith de Mateus 24; a História de Joseph Smith sobre a Restauração e as Regras de Fé.

                Guia de Estudo Para as Escrituras (GEE). A Igreja publica, junto com as obras-padrão, um Guia de Estudo para facilitar a compreensão das mesmas. Lá há conceitos, ideias-chaves, mapas, informações históricas e muitos outros recursos para o entendimento do evangelho. É um dos melhores recursos para se compreender as escrituras.

                Manuais e Guias. Neste estudo também recorremos a manuais e guias da Igreja e do Sistema Educacional da Igreja. A coleção Ensinamentos dos Presidentes da Igreja, o Pregar Meu Evangelho, o Manual Princípios do Evangelho e os manuais do curso do Novo Testamento do Seminário e Instituto estão entre os livros mais citados.

                Palavras dos profetas modernos. Usei também as palavras dos profetas modernos, encontrada principalmente nas revistas da Igreja (como A Liahona). As palavras dos profetas são escritura (D&C 68:4).

                Outras fontes. Ainda utilizamos livros históricos, doutrinários e filosóficos, recursos virtuais que a internet oferece e obras em outros idiomas. O Novo Testamento foi originalmente escrito em grego, por isso, realizamos breves comentários da Bíblia grega a partir desta edição (2a edição) quando julgamos ser pertinente para revelar ou ampliar o sentido de certa passagem ou frase.
                O Élder Bruce R. McConkie fez o seguinte comentário falando a um grupo de professores da Igreja: "Sem dúvida não há objeções em se conhecer hebraico e grego, mas há alguns perigos. Joseph Smith e alguns dos primeiros líderes da Igreja estudaram um pouco de hebraico. Quando o conhecimento de línguas antigas é devidamente utilizado — como meio de adquirir inspiração sobre uma determinada passagem — seu mérito em uma escala é de aproximadamente um ou um e dois décimos. Usado indevidamente — como um fim em si mesmo — seu valor cai na escala para menos cinco a menos dez, dependendo da atitude e do ponto de vista espiritual daquele que o utiliza. Aqueles que consultam as línguas originais para seu conhecimento de doutrina têm a tendência de confiar mais nos estudiosos do que nos profetas para interpretar as escrituras. Isso é muito perigoso. É triste ser contado entre os sábios e instruídos que acham que sabem mais que o Senhor. Sem dúvida, nenhum de nós deve preocupar-se ou sentir-se inferior se não tiver um conhecimento básico das línguas em que a Bíblia foi escrita originalmente. Nossa preocupação deve ser a de sermos guiados pelo Espírito e de interpretarmos a palavra antiga de modo condizente com a revelação moderna." (Suplemento, Simpósio sobre o Novo Testamento, 1984, pp. 1–7)

                Espírito Santo. De todos os recursos utilizados o melhor e o principal é o Espírito Santo. Procurei esse dom - o qual iluminou minha mente, fazendo-me ver e entender a verdade. Devo dizer que há pontos em que o Senhor decidiu, por sua sabedoria, não revelar seu pleno significado, e outros pontos que, embora Ele revelou o sentido, não puderam ser transmitidos nesta obra. Arrisquei-me a opinar sobre um ou outro ponto - e por isso o livro deve, de maneira geral ser considerado como minha opinião e não como doutrina oficial.
                Reconheço a mão do Senhor em meus esforços. Sem dúvida fui auxiliado por Ele. E sou muito grato por essa ajuda divina!



[1] “O Apocalipse é um dos livros mais claros que Deus já ordenou que se escrevesse”. (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, pg 282).
[2] A Tradução de Joseph Smith da Bíblia foi parte importante do chamado profético de Joseph Smith. Ele começou essa tradução em 1830 e alterou alguns trechos, esclarecendo muitas doutrinas importantes. Para mais informação ver GEE "Tradução de Joseph Smith (TJS)". Uma seleção dessa tradução pode ser encontrada no site www.lds.org/scriptures.


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Revelação


                Revelação é a comunicação de Deus com o homem (GEE "Revelação"). Todo livro de Apocalipse é, na verdade, uma comunicação sagrada, dada por ministração angelical, teofanias e dons espirituais, a João, apóstolo de Jesus Cristo - o qual a recebeu enquanto isolado na ilha de Patmos. O termo "Apocalipse" deriva de uma palavra grega que significa "revelado" ou"descoberto", por isso, em inglês, por exemplo, o nome do livro é Revelation (Revelação).

                O propósito do livro de Apocalipse é bem claro. Logo de inicio João esclarece que o livro foi escrito para mostrar aos servos de Deus as coisas que brevemente deveriam acontecer (Apocalipse 1:1). É também propósito de João, testificar a respeito de seu Senhor e Salvador, Jesus Cristo, de quem ele era testemunha pessoal e ocular. Podemos até dizer que o livro de Apocalipse é uma síntese dos atos do Senhor Jesus Cristo para com os homens em toda a História Humana - com ênfase especial dada aos últimos dias.
                Antes de adentrar no estudo do livro de Apocalipse propriamente, investigando a revelação de João, devo esclarecer mais adequadamente o que vem a ser Revelação e depois falar um pouco sobre quem era João.
                Revelação, como mencionei acima, é a comunicação sagrada de Deus com seus filhos.
                A revelação ocorre de forma diversificada. Ela pode vir por meio de sonho – como José do Egito, que na juventude sonhou que um dia salvaria sua família (Gênesis 37:5-11); visão – como a Leí, que aprendeu sobre a Árvore da Vida (1 Néfi 8); por ministração angelical, como o Rei Benjamim, que aprendeu sobre o sacrifício de Cristo (Mosias 2:2-4); por uma voz divina, como a João Batista após batizar o Salvador (Mateus 3:17); por uma ideia na mente, como Enos ao orar no bosque para obter perdão (Enos 1:10); ou ainda como um sentimento, como Samuel, o Lamanita, ao declarar ao povo iníquo tudo que o Senhor lhe pusera no coração (Helamã 13:4-5). Todos nós podemos experimentar a revelação. A forma mais comum de revelação, sem dúvida, é a impressão que temos na mente e no coração – uma ideia clara que é confirmada por um sentimento de paz. Como o Senhor disse:
                “Eis que te falarei em tua mente e me teu coração, pelo Espírito Santo que vira sobre ti e que habitará em teu coração. Ora eis que este é o espírito de revelação.”
                Nessa escritura aprendemos que o Espírito é vital para revelação (Morôni 10:3-5). E que esse Espírito habita em nosso coração – o coração é símbolo da vontade e disposição do homem (GEE "Coração"). O que significa que se nossa vontade e disposição estiverem direcionadas para as coisas de Deus, convidaremos o Espírito a revelar-nos as verdades que o Pai deseja que aprendamos por meio de sentimentos e ideias.
                As revelações, novamente, vêm comumente numa voz suave e mansa (II Reis 19:12). Certamente a "voz de trovão" é sentida mais pelos iníquos do que pelos justos. O Senhor não se agrada dos que precisam ser compelidos com fortes revelações para agir justamente (D&C 58:26). Mas por amar os pecadores às vezes revela-se de modo mais drástico a eles (1 Néfi 17:45). O Espírito, contudo, não luta para sempre com o homem, e se a revelação for vez após vez recusada, advirá rápida destruição (2 Néfi 26:11).
                Para recebermos revelação devemos pedi-la em oração (Alma 37:37). Os requisitos para a recebermos são: fé em Jesus Cristo, real intenção e coração sincero (Morôni 10:4-5). Algumas perguntas e desejos não poderão ser respondidos e atendidos no tempo que julgamos ser o melhor - isso, porém, será para o nosso bem (D&C 88:64). Mas Deus sempre ouve as orações e sempre as responde, no devido tempo.


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Quem é João?

                Zebedeu, um judeu, teve dois filhos muito conhecidos por toda cristandade. Eles foram chamados de Boanerges pelo Salvador, que significa filhos do trovão[1] (Marcos 3:17). O primeiro é Jacó, que por conveniência das (más) traduções, chegou até nós como Tiago (forma grega do hebraico Jacó). E o segundo é João. O nome de João significa "dom de Jeová". Esse João junto com seu irmão Tiago foram escolhidos para servirem no primeiro Quórum de Doze Apóstolos, formado pelo Senhor enquanto estava na mortalidade (Mateus 12:1-5). Mais tarde os dois irmãos, junto com Pedro formaram o Quórum da Primeira Presidência da Igreja Primitiva[2].
                João e Tiago eram pescadores e tal como Pedro e André deixaram suas redes para seguirem o Salvador, e tornarem-se pescadores de homens (Mateus 4:18-22). Talvez João fosse o mais jovem do grupo de Apóstolos. Ele é frequentemente retratado na tradição e nas pinturas antigas como um rapaz sem barba, enquanto os outros apóstolos são homens maduros e barbados. Além disso ele esta sempre do lado do Senhor. Ele é conhecido como João, o Amado - não só para distingui-lo de João Batista, a quem ele seguia fielmente antes de encontrar o Cristo, mas indicando uma amizade profunda entre o servo e o seu Senhor[3] (João 13:23; 19:26; 20:2; 21:20).
                João também é conhecido como João, o Teólogo; ou João, o Revelador. Isso porque o livro de Apocalipse é de sua autoria. Além do Evangelho que leva seu nome[4], João também escreveu três breves epistolas que estão na parte final do Novo Testamento[5].
                A mãe de Tiago e João estava junto a seus filhos quando esses solicitaram a Jesus que lhes fosse permitido um lugar ao lado do Senhor. Seu pedido impulsivo e ousado, movido por um sincero desejo, foi brandamente reprovado - possibilitando o Senhor ensinar preciosas lições sobre humildade, verdadeira grandeza e seu chamado divino (Mateus 20:20-28, Marcos 10:35-41).
                João esteve presente em vários eventos privilegiados com o Senhor Jesus Cristo - por exemplo, era um dos três mortais no Monte da Transfiguração com o Salvador (Mateus 17:1-2).
                Como bem observa o Élder James E. Talmage, João "foi o primeiro a reconhecer o Senhor ressuscitado nas praias da Galiléia e recebeu de seu lábios imortais a esperança de que seu desejo seria atendido, continuando na carne para ministrar aos homens até que o Cristo retornasse em Sua glória" ("Os Doze Escolhidos", Jesus, o Cristo, pg.215).
                João viu todos os seus amigos e familiares morrerem. Alguns, inclusive, morreram de maneira brutal, dando a vida pela Verdade[6]. João ficou na terra sozinho. Ele não morreu. Talvez tenha sido retirado da presença dos homens, e se escondido - pois a Terra mergulhou numa Apostasia profunda, e ele foi proibido de pregar.
                Em nossa dispensação, porém, João continua seu ministério. Ele participou diretamente da Restauração do Sacerdócio e continuou e continua a divulgar o evangelho (ver "Apocalipse 10:11 - a autoridade e missão de João e como ele cumpriu e esta cumprindo sua responsabilidade", pg. 263).


[1] O Élder James E. Talmage sugeriu que Tiago e João receberam esse título "possivelmente referindo-se ao zelo que desenvolveram em seu serviço e que, na verdade, às vezes precisava ser refreado, como na ocasião em que desejavam chamar fogo dos céus para destruir os aldeões samaritanos, que haviam recusado hospitalidade ao Mestre (Lucas 9:54) ("Os Doze Escolhidos", Jesus, o Cristo, pg.215).
[2] (Ver John W. Taylor, Collected Discourses, Brian H. Stuy, org. 5 vols., 1987–1992, 4:256.)
[3] Prova da grande confiança que Cristo depositava em João é atestada pelo fato que, pendurado na cruz, Ele incumbiu João de cuidar de Maria - a mãe do Senhor (João 19:20-27).
[4] João escreveu "O Evangelho Segundo João", o quarto livro do Novo Testamento. O Manual do Aluno de Seminário do Novo Testamento, assim apresenta o Evangelho de João: "Os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas contam muitas das mesmas histórias e seguem basicamente a mesma ordem e padrão. Na maior parte, eles contam o que Jesus fez na Galiléia, mas o evangelho de João inclui muitas histórias diferentes e conta muito mais a respeito do que Jesus fez na Judéia e em Jerusalém. Seguem-se alguns dos ensinamentos e experiências de Jesus que só se encontram em João: O Jesus pré-mortal (ver João 1); Ocasiões em que Jesus testificou a certas pessoas quem Ele, realmente era (ver João 3–4, 8); Jesus é o Pão da Vida e a Água Viva (ver João 6–7);  Jesus chama Lázaro de entre os mortos (ver João 11); A lavagem dos pés dos Apóstolos (ver João 13); Ensinamentos a respeito do Espírito Santo (ver João 14–15);  A oração de Jesus por Seus Apóstolos (ver João 17); O encargo que Jesus dá a Pedro de “apascentar as Suas ovelhas” (ver João 21)" ("João, um Evangelho Especial"pg. 75).
[5] "É provável que o Apóstolo João (...) tenha escrito essas cartas entre os anos 70 e 100 d. C. Na época, a Igreja estava enfrentando duas dificuldades graves: Os inimigos que não pertenciam à Igreja perseguiam os membros e as pessoas que ensinavam falsidades dentro da Igreja estavam desafiando os líderes e incentivando muitos membros a caírem em apostasia" (Manual do Aluno de Seminário do Novo Testamento, "As Três Epístolas de João"pg. 75).
[6] Tiago, seu irmão, foi decapitado por ordem de Herodes Agripa (Atos 12:1-2).


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Ilha de Patmos

                A ilha de Patmos fica no Mar Egeu. Era um campo de prisioneiros. Na época em que João foi preso lá o governo romano estava perseguindo os cristãos, e a maioria dos companheiros de apostolado de João haviam sido martirizados. Muitos outros membros da Igreja vinham sendo tratados com crueldade em Roma e em outras partes do Império.
                Não sabemos o motivo exato de João ser preso. Mas podemos arriscar um palpite convincente - baseado em Apocalipse 1:9 - de que o testemunho em Cristo fora a causa principal que levara  o ministro a enfrentar os grilhões da maldade - assim como acontecera com centenas de outros, que preferiam sofrer a negar o Cristo.


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Interpretação da Revelação

                Interpretação do livro de Apocalipse, bem como a de qualquer outra parte das escrituras deve ser feita pelo poder do Espírito Santo. “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo." (II Pedro 1:20-21).
                Assim sendo não me preocupei muito com métodos e teorias hermenêuticas dos homens. É verdade que muitos dos métodos vêm a acrescentar e contribuir para se aprender aquilo que os profetas e santos do passado procuraram transmitir, mas contra o Espírito “não há lei” (Gálatas 5:23).
                Há um risco em se usar os métodos hermenêuticos - que é o de "confiar no braço da carne" (Jeremias 17:5, 2 Néfi 4:34). Mas isso ocorre apenas e tão somente quando esses métodos são usados de forma principal e exclusiva. Se isso advir a pureza da verdade será maculada.
                Aliado ao Espírito, todavia, o empenho racional interpretativo é parte importante para se cumprir a palavra do Senhor de se estudar diligentemente e de se examinar as escrituras (D&C 1:37, João 5:39, 1 Néfi 10:19, Mosias 1:7, Alma 17:2, 3 Néfi 23:1).
                Acrescido ao Espírito podemos usar uma interpretação finalística decifrando cada versículo do livro de Revelações tendo em mente o propósito do apóstolo-escritor. Essa interpretação teleológica é possível quando se leva em consideração o conjunto completo das palavras em Apocalipse e se extrai os objetivos de João.
                Se quisermos podemos também recorrer a uma interpretação sistemática. Com essa ferramenta poderemos averiguar que o evangelho é único – ou seja, não se contradiz. João não inova (no sentido de criar novos paradigmas e princípios), mas repete as verdades divinas. Usar um conjunto de escrituras em vez de um livro ou versículo isolado permite-nos entender a mente de Deus. Analisar as escrituras, separando-as em grandes temas e esquematizando-as ajuda-nos a compreender a palavra do Senhor e perceber como ela pode ser aplicada em nossa vida.
                A interpretação gramatical é útil para aprendermos o significado das palavras que os tradutores decidiram dar. E aliada a ela podemos comparar outras versões das escrituras em outros idiomas - especialmente àqueles que possuem versões mais antigas, tais como o grego, inglês e alemão.
                E ainda há outras formas de interpretação (como a interpretação histórica, a interpretação ontológica, a interpretação sociológica, etc.), que como ferramentas poderão ser usadas. Entretanto, insisto: a melhor e mais eficaz ferramenta é o Espírito Santo. Através dele podemos saber a verdade de todas as coisas (Morôni 10:5). Sem ele somos cegos, aprendendo sempre e nunca chegando ao conhecimento da verdade! (II Timóteo 3:7)

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